La Paz - O presidente da Bolívia, Evo Morales, enfrentou ontem um dia de greve geral envolvendo várias categorias profissionais. A paralisação foi convocada pela Central Obreira Boliviana, a maior entidade sindical do país, em protesto contra a forma como o governo atuou na repressão às manifestações dos indígenas que se opunham à construção de estrada na região de San Ignacio de Moxos (Beni) e Villa Tunari (Cochabamba).
A construção da estrada levou não só a protestos contra Morales e à suspensão das obras, como também à renúncia de dois ministros - da Defesa e do Governo (equivalente à Casa Civil no Brasil). Anteontem, o presidente empossou os substitutos dos demissionários. Os novos ministros da Defesa, Ruben Soto Saavedra, e de Governo, Wilfredo Chávez, prestaram juramento de lealdade e compromisso.
Bruno Apaza, da Central Obreira Boliviana, rechaçou as ações do governo e disse que os sindicatos aguardam uma resposta sobre as denúncias de agressões e desaparecimentos ocorridos no último domingo, quando houve o protesto dos indígenas.
A polêmica envolve uma estrada, que deve passar pela reserva de Território Indígena Parque Nacional Isidoro Sécure (Tipnis), ao lado do território brasileiro. A estimativa é de que 13 mil pessoas, de diferentes comunidades indígenas, morem na região. Pelo plano, o percurso é aproximadamente 300 quilômetros, a um custo aproximado de US$ 420 milhões, financiados com recursos brasileiros.
Segundo autoridades bolivianas, a rodovia é estratégica para o desenvolvimento do país. Os ativistas combatem a obra, dizendo que favorece grupos econômicos e prejudica o meio ambiente.
No domingo, cerca de 500 policiais usaram gás lacrimogêneo para dispersar o protesto, que terminou com presos e denúncias de agressões. A marcha dos manifestantes contra a obra começou em 15 de agosto, em Trinidad (Departamento de Beni), com destino a La Paz, a Capital.
Em nota divulgada antes da decisão de Morales de suspender as obras, o Itamaraty informou ter recebido com preocupação as notícias sobre os distúrbios na Bolívia. "O governo brasileiro recebeu com preocupação a notícia da ocorrência de distúrbios em 25 de setembro, no contexto de protestos sobre a construção de trecho da estrada Villa Tunari-San Ignacio de Moxos", diz o documento.