Cultura

Um olhar sobre a tradição terêna


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"Isonéu Terêna" é o nome do documentário que mostra tradições da cultura terêna dos índios da Aldeia Ekeruá, localizada no município de Avaí (a 39 quilômetros de Bauru). São 35 minutos que mostram entrevistas com os habitantes mais idosos da aldeia e registram aspectos importantes da cultura indígena. A obra já foi lançada no Espaço Crescer de Duartina e no Cinema Municipal de Avaí. Hoje, haverá divulgação do documentário na própria aldeia de Ekeruá, às 20h. Em Bauru, o lançamento está previsto para o dia 4 de outubro, no Empório Cultural Extinção, às 20h30.

Mais do que um documentário que divulga as peculiaridades e costumes da cultura terêna, "Isonéu Terêna" é o resultado do trabalho de 30 jovens indígenas que vivem na aldeia, que atuaram como verdadeiros agentes culturais. O média-metragem, que integra o projeto Memória Nativa Terêna, envolveu os jovens índios com toda as etapas de produção, desde a roteirização e captação das imagens.

Antes de produzir, esses jovens participaram de oficinas de qualificação e aprenderam a lidar com equipamentos de filmagem e outras técnicas. "O vídeo resulta do trabalho de introdução da tecnologia audiovisual, entre outras, nessa aldeia. Mostramos como as tecnologias podem ajudar nesse processo de registro da cultura e tradições a favor dessa aldeia", explicou Sérgio Losnak, idealizador do projeto Memória Nativa Terêna. "Os jovens dessa comunidade indígena puderam reconhecer e fortalecer sua identidade étnica cultural, realizar pesquisas por meio da oralidade, utilizar a tecnologia de informática, captação e edição de imagens. A obra representa um olhar sobre eles mesmos e seus semelhantes, seus antepassados", destacou.

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Naturalidade


As etapas de preparação e filmagem duraram oito meses até a finalização do arte-documentário. Ao todo, foram captadas 40 horas de material bruto audiovisual no decorrer do projeto. A obra mostra detalhes e a riqueza da cultura terêna, que se manifesta através da língua materna, do artesanato, das danças, dos jogos cênicos e da memória oral.

"As cenas traduzem com naturalidade a cultura indígena. O trabalho de captação de imagens não se preocupou com aspectos técnicos nem profissionais. Nas filmagens, é possível perceber uma expressividade espontânea dos índios, que indica aspectos e características da própria cultura terêna", avaliou o artista multimídia Aran Carriel, que fez a edição do documentário. "É um filme feito de forma bastante artesanal. Apesar das novas tecnologias descaracterizarem, de certa forma, as culturais orais, os produtores do média-metragem conseguiram passar os costumes da aldeia reforçando a tradição oral. Por isso é chamado de arte-documentário", expõe Aran.

Davi Henrique Silva Pereira, de 24 anos, morador da aldeia Ekeruá, falou ao JC sobre sua experiência em participar do projeto e da produção de "Isonéu Terêna". "No vídeo, pessoas mais velhas de nossa aldeia contam costumes e relatam histórias importantes para fortalecer nossa identidade. O vídeo não deixa morrer essas tradições", frisa. "Outras gerações poderão ter acesso a essa obra", acrescentou Davi, que diz que a comunidade de Ekeruá está ansiosa para prestigiar o documentário neste sábado.

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Vídeo poderá ser visto em blog


A tiragem inicial de "Isonéu Terêna" será de 200 cópias, que serão enviadas às bibliotecas da região, espaços e entidades culturais, instituições de ensino público e moradores de Ekeruá. Dentro de alguns dias, o vídeo poderá ser acessado no blog www.memorianativadeekerua.blogspot.com

O projeto Memória Nativa Terêna tem o apoio da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo e do Programa de Ação Cultural (Proac), do Estado de São Paulo.

O lançamento do documentário conta com o apoio do Centro de Cultura Terêna Kipaê, Governança Indígena de Ekeruá, do Departamento de Cultura da Prefeitura Municipal de Avaí, Prefeitura Municipal de Duartina, Espaço Crescer de Duartina e do Empório Cultural Extinção. (MC)


Serviço

Lançamento do documentário Isonéu Terêna será hoje, às 20h, na Aldeia de Ekeruá, em Avaí e no dia 4 de outubro (terça-feira), às 20h30, no Empório Cultural Extinção, em Bauru (rua Cussy Júnior, 8-17, Centro). Saiba mais pelo www.memorianativadeekerua.blogspot.com

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