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TOC: doença que escraviza a alma

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 3 min


Na esteira de situações antes veladas - como o bullying, por exemplo - e agora evidenciadas, o Transtorno Obsessivo Compulsivo, ou TOC, começa a ganhar holofotes na forma como deveria: doença (leia mais nas páginas 10 e 11). Não raramente confundido com manias ou superstições, o problema, caso não detectado de início, pode se desdobrar em complicações psicológicas mais sérias e perdurar por toda a vida.

Um dos exemplos de maior divulgação, e conscientização, a respeito da doença ocorreu semana retrasada, com uma reveladora entrevista do cantor Roberto Carlos, assumidamente vítima do TOC, no programa do apresentador Jô Soares. Na ocasião, o Rei falou abertamente, e de forma bem humorada, sobre as "manias" encaradas por ele, durante muitos anos, como superstição.

De fato, o cantor coleciona rituais. Assoprar formigas para certificar-se de que estão realmente vivas, sair apenas pela porta por onde entrou, não sair de ré de uma garagem (coitado do manobrista), aversão por roupas escuras, principalmente na cor marrom, são alguns deles.

A princípio, as atitudes podem até parecer cômicas. Mas para quem sofre, a situação não tem a mínima graça. A doença, afirmam psicólogos e psiquiatras, escraviza seus portadores que, geralmente, associam o não-cumprimento de determinado ritual a uma consequência ruim, na maioria das vezes trágicas, com alguma pessoa próxima ou consigo mesmo.

"Por exemplo, alguém acredita que poderá ser responsável pela morte da mãe caso passe a pisar em ladrilhos na rua. Isso é o TOC", define o psicólogo Arnaldo Vicente, do Centro de Terapia Cognitiva (CTC).

O indivíduo em questão, acentua o psicoterapeuta, não seria capaz de explicar qual o "elemento mágico" que leva a isso.

Afinal, por que essa pessoa teria o "poder" de definir o destino de alguém simplesmente porque não deu três batidas na madeira do pé da cama antes de dormir ou deixou de dobrar a roupa de uma determinada e "crucial" maneira? "Isso é o TOC, tem o elemento mágico", acentua o terapeuta.

Diferente de algum tipo de superstição ou mania, o TOC aprisiona seus portadores, explica o especialista. "É a supervalorização da responsabilidade sobre as coisas que acontecem de ruim. Uma pessoa que ama alguém se sentir responsável pelo mal estar do outro fica apavorada e começa a desenvolver ideias para que possa aliviar essa carga, para que aquilo não venha a acontecer", complementa.

Obsessão e compulsão. Esses são os principais diferenciais da doença sobre pequenas manias ou mandingas, como sentar-se na mesma poltrona sempre que joga o time do coração, observa o psicanalista Evandro Luís Borgo. "Pensamentos que são repetitivos e invadem a cabeça da pessoa. Achar que está contaminado, que vai acontecer algo de ruim como conseqüência da não realização do ano", reforça o médico.

Essas obsessões, cita o especialista, podem ser das mais variadas naturezas. "Pode ser de limpeza, simetria, repetição, contagem, que se feitos (por quem é acometido pelo transtorno) diminuem a ansiedade. No TOC, ao contrário da superstição, o ritual traz prejuízo à vida da pessoa, relacionamento com familiares, ou ao trabalho", diferencia.


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Ritual torna vítimas reféns


Caso não obedeça ao comando automático de repetir o ritual, o portador de TOC entra num conflito interno, quase sempre com vitória da compulsão. E os casos, observam os terapeutas, não são raros (faça o teste na página 10), apesar de alguns deles soarem estranhos para quem não sente o problema na própria pele.

Entre as incidências que mais chamam a atenção de especialistas da cidade, está o de um paciente que só seguia com as tarefas cotidianas após cruzar o olhar com um animal doméstico num determinado ponto da casa. Do contrário, a pessoa parava e permanecia inerte até encarar olho no olho o gato ou cachorro.

"Existem casos de pessoas que esperam o relógio apontar um número X. Por exemplo, 13h13 é a hora em que o indivíduo, obrigatoriamente, tem de estar em frente ao relógio. Se for o dia 13 do mês, aí então é que a pessoa tem que estar lá mesmo. Ela fica escrava e não consegue sair", ilustra o psicólogo Arnaldo.

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Comentários

1 Comentários

  • Jucinei pera 21/05/2023
    Eu pensei que eu estava melhorando do toc. Mas estou passando por uma crise terrível,e estou pior do que nunca; que doença miserável,acaba com a gente. Essa crise que estou passando no momento, sinceramente uma das mais terrível que já tive . A gente procura uma saída, procura tanto que chega até pensar em suicídio. Essa doença é uma peste até pior. Alguém me ajude por favor!