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Bolívia é entrave à expansão do Brasil na América Latina

Da redação JCNet
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A paralisação na Bolívia de uma obra brasileira de 420 milhões de dólares, rejeitada por grupos indígenas, pôs em xeque a ambição do Brasil de obter um acesso ao oceano Pacífico para exportar para a China. A rodovia da discórdia, no coração da Bolívia, é parte de uma rede que conectaria o Brasil a um porto no norte do Chile.

"À medida que o Brasil amplia sua influência, com uma maior presença física na América Latina, irá encontrar mais situações desse tipo", disse Karen Hooper, analista para América Latina da consultoria Stratfor Global Intelligence, em Austin, nos Estados Unidos.

Da Guatemala à Argentina, construtoras brasileiras como a OAS estão envolvidas em dezenas de projetos, financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), cujos desembolsos na América Latina chegaram a 870 milhões de dólares neste ano.

Na Bolívia, o governo brasileiro prevê financiar 80% da construção da rodovia, o que os indígenas veem como um caminho para a chegada de narcotraficantes e madeireiros clandestinos.

Os indígenas iniciaram uma marcha de protesto com a intenção de chegar a La Paz, mas foram dissolvidos com violência pela polícia na metade da manifestação, em um incidente que levou à demissão de dois ministros. Depois disso, Morales prometeu submeter a obra a um referendo, cuja data ainda não foi acertada.

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