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Correios e Bancários: greves continuam sem solução

Neto del Hoyo
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Éder Azevedo

Funcionários dos Correios estão desde o dia 12 parados; bancos permanecem fechados há uma semana

Ao que tudo indica, a greve dos Correios continuará, pelo menos, até o início da próxima semana. Na última sexta-feira, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) negou o pedido de liminar feito pela Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) para suspender a paralisação dos funcionários da estatal.

Além de negar, a ministra relatora do processo, Cristina Peduzzi, marcou audiência de conciliação entre a ECT e a Federação Nacional dos Trabalhadores de Correios, Telégrafos e Similares (Fentect) hoje, às 13h, em Brasília.

Ontem, em contato com a reportagem do JC, José Aparecido Gimenes Gandara, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios, Telégrafos e Similares de Bauru e Região (Sindecteb), confirmou que um grupo de aproximadamente 45 funcionários e apoiadores do movimento seguiu para Brasília, onde participam de manifesto marcado para às 13h em frente ao prédio do TST.

A greve nacional dos Correios teve início no dia 12 de setembro, e desde o início conta com adesão de cerca de 90% dos funcionários de Bauru e região, segundo o sindicato. “Esperamos alguma posição. Até agora parece que não estão dando a importância devida. Existem muitos problemas que precisam ser resolvidos e esperamos ter uma posição pelo menos nesta terça”, conclui Gandara.

 

Bancários


Enquanto os servidores da ECT esperam uma posição após o encontro de hoje em Brasília, os bancários aguardam um “sinal” da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban).

De braços cruzados desde o dia 27, os trabalhadores que também reivindicam melhorias para a categoria, aguardam uma proposta dos banqueiros.

“Ainda não tivemos nenhuma posição. Estamos aguardando e convocando a categoria para que todos possam aderir à greve”, destaca Paulo Tonon, diretor do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região.

De acordo com números divulgados pela entidade, após o fim de semana sem evolução nas negociações com os banqueiros, a adesão dos bancários na cidade diminuiu de 80% na última sexta-feira para 76,5%. Além disso, segundo a assessoria do sindicato, duas das 35 agências que estavam fechadas reabriram ontem.

 

Paralisação muda rotina de empresas de logística

Enquanto os centros de tratamento de encomendas dos Correios seguem cheios, as empresas de logística encontram uma oportunidade em meio à crise.

Empresas transportadoras, mototaxistas e entregadoras registram volumes muito superiores à média diária e veem o perfil de seus clientes mudando a cada dia.

Sócio-proprietário de uma empresa de serviços de cargas, Vinícius Mosquim conta que as saídas diárias aumentaram quase cinco vezes. “Por dia tínhamos aproximadamente 40 conhecimentos (documentos com nota fiscal), e depois do início da greve dos Correios esse número saltou para cerca de 180. Tive que deixar o departamento comercial e partir para o operacional, além de contratar os serviços de um motoboy e uma empresa terceirizada para levar as encomendas. Estamos trabalhando 16 horas por dia, de domingo a domingo”.

O empresário explica que, apesar do aumento considerável no trabalho, os lucros não acompanham a mesma crescente. “Antes tínhamos grandes clientes e esse aumento refere-se a pequenos objetos e documentos. Os serviços feitos pelos próprios Correios que agora estão sendo repassados para nós”.

Mosquim acredita que a greve nos Correios pode escancarar uma situação pouco percebida pela maioria dos usuários. “Muita gente quando pensa em carta ou em encomenda já condiciona aos Correios. Isso é normal, faz parte da cultura brasileira. Porém, algumas pessoas estão vendo agora que existem empresas que oferecem os mesmos serviços, com prazo de entrega até menor e com custos mais baixos. Nós, por exemplo, para entregas fora do Estado de São Paulo, temos valores até 40% menores que os dos Correios”.

 

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