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Justiça manda afastar secretário em Marília

Da Redação
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Marília - O Ministério Público obteve liminar da Justiça afastando do cargo o secretário da Fazenda de Marília, Nélson Virgílio Gracieri, que acumula o cargo de chefe de gabinete do prefeito Mário Bulgarelli (PDT). A ação civil pública por improbidade administrativa foi movida contra Gracieri e o assessor de gabinete André Felizario Jaciento. Os dois são acusados de suposta cobrança de propina de fornecedor da Prefeitura de Marília (100 quilômetros de Bauru) para a liberação de pagamentos.

Até ontem o secretário não tinha sido afastado do cargo. O prefeito Mário Bulgarelli alegou que a administração não tinha sido notificada da decisão judicial por isso Gracieri continuaria no cargo.

De acordo com a ação proposta pela promotora de Justiça Rita de Cássia Bérgamo, o secretário exigiu 10% do valor a ser recebido por uma empresa de construção que venceu a licitação para a realização de obras em três escolas municipais de Marília. A propina foi exigida para que fossem liberados pagamentos da prefeitura para a empresa.

O inquérito civil instaurado na Promotoria de Justiça apurou que parte dos pagamentos exigidos pelo chefe de Gabinete do prefeito foi feita a André Jaciento, ora em frente à agência bancária onde a construtora mantém conta, ora no escritório da empresa. Uma testemunha confirmou ter dado R$ 10 mil em dinheiro nas mãos de André que, segundo a ação, fazia as cobranças em nome do secretário.

Como parte do pagamento da propina exigida por Grancieri, a empresa depositou R$ 14.250,00 na conta bancária dele, além de quitar seus débitos pessoais. A empresa pagou, por exemplo, dois boletos de cartão de crédito da esposa de Grancieri, nos valores de R$ 4 mil e de R$ 1.244,98, além de um boleto no valor de R$ 685,00, emitido por uma loja de material de construção. O cálculo é de que o secretário recebeu indevidamente o total de R$ 75.890,22.

“Nelson, ao exigir dos representantes da empresa contratada pela prefeitura valores indevidos, sob pena de não liberar o pagamento a que faziam jus, violou o princípio da probidade, legalidade e moralidade”, diz a ação.

A Promotoria pediu o afastamento liminar de Nelson Grancieri das funções públicas, para evitar possível dano à instrução processual, o que foi deferido pelo juiz Valdeci Mendes de Oliveira. A ação também pede a condenação Grancieri e de André Jaciento à perda da função pública, à devolução do dinheiro obtido ilicitamente, à cassação dos direitos políticos e à proibição de contratar com o poder público ou dele receber benefícios.

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