Internacional

Mesquita é incendiada e grafitada

Folhapress
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Marcelo Ninio

Jerusalém - Uma mesquita na aldeia árabe de Tuba-Zangaria, no norte de Israel, foi incendiada na madrugada de ontem. A suspeita é que extremistas judeus sejam os autores. O vandalismo chocou Israel, que, pela primeira vez, vê em seu território uma ação nos moldes da operação de vingança praticada há meses por colonos judeus contra aldeias palestinas.

A surpresa foi maior porque a população de Tuba-Zangaria, uma pacata aldeia árabe beduína de 5 mil pessoas, é considerada integrada ao Estado de Israel - muitos servem no Exército. A polícia fez algumas prisões, mas não quis revelar detalhes da investigação.

O fogo destruiu livros sagrados e todo o interior da mesquita. Ao ver o estrago pela manhã, residentes da aldeia enfurecidos entraram em confronto com a polícia quando marchavam em direção à cidade de Rosh Pina.

À noite, a calma voltou à pequena aldeia da Galileia. Inconformado, Fuad Zangariya, imã da mesquita, disse que a aldeia sempre manteve relações amigáveis com os vizinhos judeus.

Os autores do ataque picharam paredes em hebraico com palavras como "vingança" e "etiqueta de preço".

É assim que um grupo de colonos radicais batizou os atos de vingança na Cisjordânia, numa referência ao "preço" cobrado a cada concessão feita aos palestinos.

Quatro mesquitas foram vandalizadas na Cisjordânia neste ano, oliveiras de palestinos foram destruídas e houve até um ataque contra uma base militar israelense. Ninguém foi processado.

A estreia da operação "etiqueta de preço" em território israelense acabou com a indiferença do governo.

O premiê Binyamin Netanyahu se disse "chocado", afirmando num comunicado que "esse crime contraria os valores do Estado de Israel".

O motivo da vingança também foi grafitado na parede externa da mesquita: "Palmer", nome de um colono israelense que morreu há cerca de dez dias junto com o filho de um ano quando seu carro capotou na Cisjordânia.

O Exército afirmou que foi um atentado, depois de concluir que uma pedra havia sido jogada contra o veículo.

No esforço para evitar uma deterioração na delicada relação com a população árabe, o presidente Shimon Peres e o rabino-chefe de Israel, Yona Metzger, fizeram uma visita à mesquita incendiada. "É um dia difícil para toda a sociedade israelense, não só para o setor árabe", disse Peres, que classificou o ataque de "ilegal e imoral".

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