Os representantes dos trabalhadores dos Correios e diretores da empresa chegaram a um acordo na tarde de ontem, em audiência no Tribunal Superior do Trabalho (TST), para encerrar a greve no setor, que está completando 22 dias hoje. No entanto, a assessoria de imprensa do Sindicado dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios, Telégrafos e Similares de Bauru e Região (Sindecteb) divulgou, no início da noite, que a categoria continua de braços cruzados pelo menos até hoje.
Ontem, cerca de 70 diretores e sindicalistas do Sindecteb estiveram reunidos junto a outros grevistas em frente ao prédio do Tribunal Superior do Trabalho (TST), em Brasília (DF). Eles participaram de um manifesto que começou por volta das 13h.
Depois da mobilização, ficou decidido que a maioria dos 35 sindicatos da categoria ainda precisa aprovar a proposta apresentada ontem em assembleia. Em Bauru, a decisão dos trabalhadores será tomada durante reunião marcada para as 18h, na sede do sindicado da categoria.
O comando nacional dos trabalhadores dos Correios deverá orientar os sindicatos pela aceitação da proposta. “Vamos formalizar definitivamente na próxima segunda-feira. Acho que foi uma proposta satisfatória para todos”, disse ontem a ministra do TST, Maria Cristina Peduzzi. “Mas se não for aprovado nas assembleias, volta tudo como estava antes”, esclareceu.
Reposição salarial
O acordo firmado estabelece a reposição salarial da inflação de 6,87% e mais um reajuste linear de R$ 80,00 a partir de outubro. Este era um dos principais pontos de discórdia, uma vez que os trabalhadores queriam o ganho real linear para agosto e os Correios concordavam em pagar apenas em janeiro. Para chegar a esse valor de ganho real, os trabalhadores abriram mão de um abono de R$ 500,00 - que não seria incorporado ao salário.
Também ficou acertado que os 21 dias parados - até o fechamento da edição na noite de ontem - não serão descontados por completo. Para repor 16 dias de greve, os funcionários terão de trabalhar durante fins de semana para colocar em dia o atraso nas entregas provocado pela greve. A compensação será estendida até o segundo domingo de maio de 2012.
Os outros cinco dias, que já foram descontados na folha de pagamento de setembro, serão devolvidos aos trabalhadores em uma folha suplementar até cinco dias úteis após o retorno ao trabalho. No entanto, eles serão descontados a partir de janeiro do ano que vem, sendo parcelados em 12 prestações.
Também ficou acordado um reajuste nos benefícios. O vale-refeição passa para R$ 25,00 (reajuste de 8,7%), o vale-cesta básica R$ 140,00 (7,7%) e um plano para aquisição de medicamentos.
Os trabalhadores reivindicavam inicialmente reposição salarial da inflação de 7,16% e com perdas salariais de 24,76%. O reajuste linear solicitado seria de R$ 400,00 e o piso salarial seria de R$ 1.635,00 -atualmente é de R$ 807,00.
A empresa oferecia reposição da inflação de 6,87% e reajuste linear de R$ 50,00 a partir de janeiro do ano que vem. Os Correios também ofereceram um abono salarial de R$ 800,00 (que não seria incorporado ao salário). A greve começou no dia 12 de setembro.
Bancários mantêm paralisação
Com as atividades paralisadas desde o dia 27 de setembro, a greve dos bancários também continua. Como não houve qualquer negociação com os banqueiros, a direção da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil, mais da metade dos bancários de Bauru continua de braços cruzados.
O JC divulgou anteontem que a categoria aguarda um “sinal” da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), no entanto, até ontem não houve manifestações.
Os bancários reivindicam reajuste de 12,8%. Este percentual representa, de acordo com a categoria, 5% de aumento real mais a inflação do período. Além disso, os trabalhadores querem valorização do piso, maior participação nos lucros e resultados (PLR), abertura de contratações, fim da rotatividade, combate ao assédio moral, extinção de metas que consideram abusivas, mais segurança, igualdade de oportunidades e melhoria do atendimento aos clientes.