Brasília - A Procuradoria da República no Distrito Federal confirmou ontem ter encontrado indícios de crime nos negócios particulares do ex-ministro Antonio Palocci e ter instaurado procedimento para analisar abertura de inquérito criminal. A "Folha de S.Paulo" revelou ontem que a investigação na área cível sobre as atividades de consultoria de Palocci esbarrou em indícios de prática de crime e que o MPF se prepara para abrir inquérito criminal.
O procurador Gustavo Pessanha Velloso é quem irá avaliar os novos fatos e decidir se abre o inquérito, que pode analisar, por exemplo, se houve tráfico de influência do ex-ministro.
O Ministério Público Federal do DF não esperou uma resposta formal do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, para instaurar o procedimento ontem.
Informado há mais de um mês da descoberta de fatos novos que implicariam na abertura de inquérito criminal contra Palocci, Gurgel disse que dava sinal verde para a investigação, mas até ontem não havia respondido a ofício do MPF.
Gurgel foi consultado porque em junho mandou arquivar requerimentos assinados por congressistas do PSDB, PPS, PSOL e PMDB pedindo investigação sobre os negócios de Palocci. Ele alegou na época falta de provas.
A falta de explicações sobre os seus negócios levaram Palocci a deixar a Fazenda no recém-instalado governo Dilma e iniciaram uma crise que já derrubou outros quatro ministros.