Uma barricada de fogo feita com pneus, galhos, entulho e móveis velhos marcou o protesto realizado na noite de ontem por cerca de 100 pessoas na rodovia Cezário José de Castilho, conhecida como Bauru-Iacanga. Moradores da Vila São Paulo e do Jardim Ivone, eles promoveram a manifestação para reivindicar uma passarela e chamar a atenção sobre alto índice de acidentes registrado durante a travessia de pedestres na altura do quilômetro 346, exatamente o trecho que divide os dois bairros.
O mais recente, e que desencadeou a revolta dos moradores, ocorreu no dia 4, quando um estudante de 16 anos foi atropelado quando tentava atravessar a rodovia de bicicleta. Até a noite de ontem, ele permanecia internado em estado grave (leia abaixo).
Por conta do protesto, cerca de 35 homens do Policiamento Rodoviário e da Polícia Militar (PM) foram até o local para acompanhar a movimentação dos moradores e disciplinar o trânsito. As primeiras viaturas que se aproximaram foram recebidas a pedradas pelos manifestantes, mas não houve confronto direto com a corporação.
Policiais da Força Tática estavam munidos de escudos, cassetetes, bombas de gás lacrimogêneo e armas municiadas com balas de borracha, mas nenhum dos equipamentos precisou ser utilizado. “Nós viemos aqui fazer um protesto pacífico, não queremos arrumar confusão. Só queremos mostrar que alguma coisa precisa ser feita”, comenta a dona de casa Roseli Dias dos Santos, 28 anos, organizadora do protesto.
O tenente Luiz Carlos Ferreira dos Santos, da Polícia Rodoviária, intermediou a negociação para que os manifestantes encerrassem o protesto, que durou cerca de duas horas. Os dois sentidos da pista, que já registravam dois quilômetros de congestionamento, foram liberados para o trânsito por volta das 20h45. “Combinamos que, amanhã (hoje), iremos nos reunir com um grupo de moradores para levar a demanda deles ao DER e à Emdurb”, adianta.
De acordo com Roseli, que perdeu a madrasta há 15 anos também em um atropelamento registrado na Bauru-Iacanga, os moradores estão cansados de enterrar seus entes pelo descaso do poder público. O tenente confirmou que o trecho se tornou crítico, principalmente em função do crescimento populacional naquela região. No entanto, adiantou que a rodovia deve começar a ser duplicada em 2012 com recursos do governo do Estado. Também destacou que, há alguns meses, o DER e a Emdurb se comprometeram a estudar estratégias para a melhoria do trecho.
Jovem permanece na UTI
Até o final da noite de ontem, o estudante Luiz Henrique Lopes Pereira permanecia internado em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Base. No último dia 4, ele foi atropelado quando tentava atravessar a rodovia Cezário José de Castilho, na altura do trevo da Vila São Paulo, a bordo de uma bicicleta. De acordo com o boletim de ocorrência, o jovem foi colhido por uma caminhonete conduzida por Francine Rodrigues de Souza, 39 anos.
“A família toda está revoltada”, conta a irmã da vítima, Aline Cristina Costa de Oliveira, 17 anos, que também participou do protesto de ontem à noite. “Para o meu irmão, colocar uma passarela agora pode ser tarde demais, mas pelo menos servirá para preservar outras vidas”, argumenta.
Em julho desse ano, Anderson Rogério dos Santos, 26 anos, morreu após ser atropelado por um caminhão que transportava combustíveis no quilômetro 345 do trecho urbano da mesma rodovia. Santos morava no Pousada da Esperança I, para onde caminhava por volta das 5h15. Ele trabalhava no estacionamento do Bauru Shopping e deveria estar voltando do serviço para casa quando foi atropelado.