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Dilma cumpre roteiro familiar no último dia de visita à Bulgária

Folhapress
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Sofia - Não teve choro. Mas quase. E nada de negócios ou eventos oficiais, apenas familiares. Foi assim o segundo e último dia da visita da presidente Dilma Rousseff à Bulgária, ontem. Conhecida por ser durona, ela ficou com a voz embargada durante discurso e disse que visitar Gabrovo, a cidade onde seu pai nasceu, foi um dos momentos "de emoção mais profunda" de sua vida.

E enumerou os momentos anteriores: quando a filha e o neto nasceram, quando foi eleita presidente e no dia em que se despediu das companheiras de cela após ser libertada pela ditadura. "Realizo, aqui em Gabrovo, o sonho que era do meu pai, de um dia voltar à Bulgária", afirmou, em discurso na escola onde estudou Pétar Russév, que deixou o país em 1929. Segundo alguns, foi por razões econômicas (estava falido). Segundo outros, por motivos políticos (era ligado aos comunistas num país monarquista).

Milhares de pessoas foram para a praça na frente da escola para ver a "presidente búlgara do Brasil", como ela é chamada pelos jornais e pela população local. Ao menos três passaram mal e desmaiaram com o calor.

"Ela é muito famosa e é motivo de orgulho para nós, búlgaros. Por isso, vim", disse Hristina Hristova, uma estudante de 16 anos que tinha um broche com a bandeira do Brasil, presente dos organizadores da visita.

O discurso da maioria era o mesmo. Dilma é um orgulho nacional num momento em que o país tem pouco a comemorar: está com a economia estagnada, desemprego crescente, e o conflito étnico envolvendo os ciganos se agravou, com mortes e protestos nas ruas nas últimas semanas.

A presidente começou o dia com uma visita ao tumulo do meio-irmão que nunca conheceu, Luben. Quando fugiu da Bulgária, Pétar deixou a mulher grávida. Prometeu voltar, o que não cumpriu. Luben também não conheceu a meio-irmã. Chegou a trocar cartas com ela, mas morreu em 2007, antes de um encontro.

Tsanka Komenova, filha de um tio de Dilma, foi com ela ao cemitério.As duas acenderam uma vela e ficaram no local por cerca de 20 minutos. Quase não falaram. Dilma colocou no local uma coroa de flores brancas.

Depois, a presidente foi visitar a cidade de Veliko Tarnovo, que foi a capital da Bulgária até o século 19. Lá, visitou as ruínas de um castelo. Na sequência, seguiu para Gabrovo. Além da escola onde estudou o pai, foi ao museu da cidade, que mantém a exposição "As Raízes Búlgaras de Dilma Rousseff". São 65 fotos: da avó, do pai quando jovem, do meio-irmão, de tios e primos.
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