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Steve Jobs e nós

Erick Prado Arruda
| Tempo de leitura: 2 min

Depois de receber a notícia da morte de Steve Jobs, pensei em como traduzir a significância de sua existência para a sociedade em palavras. O que mais me ocorreu foi estabelecer a semelhança entre ele e um guru. Guru, termo comumente empregado na Índia Ocidental e na Indonésia para indicar um professor, ainda pode ser interpretado como uma espécie de guia sagrado. Jobs foi um misto de professor e guia para nós, profissionais de tecnologia da informação. Suas idealizações, desde os primórdios da informática, invariavelmente nasciam do desejo de tornar popular o uso das tecnologias. Para isso, criava coisas diferentes. Pode-se perguntar, hoje: mas mouse e ícone é diferente?

É. Simplesmente porque, mais que conceito de ferramenta de trabalho, nasceram de ideias que quebraram paradigmas, permitindo que o usuário de computador, que não queria aprender a escrever arquivos autoexec.bat, passasse a lidar com programas visuais, tarefa simples e prazerosa. Suas ideias não nasciam dos números. Steve Jobs derramava sua genialidade apenas para que os usuários de equipamentos eletrônicos do mundo moderno pudessem falar: "simplesmente funciona". E funcionavam. Ele descobria o que queríamos antes mesmo de nós descobrirmos. Suas ideias criavam nossas necessidades, e não o contrário.

Se a genialidade de um homem se mede pela extensão do alcance de suas criações, podemos dizer que ele se personificou como uma lenda, como uma das pessoas mais geniais de toda uma geração. A velocidade vertiginosa das criações tecnológicas atuais passa, sem dúvida, pelas mãos de Jobs, que como professor ensinava para onde deveria caminhar a tecnologia. Daí ele ser o guia das criações.

Certamente estaríamos ouvindo CD´s, não fosse a revolução dos Pendrives e dos iPods, e estaríamos ainda falando através dos nossos telefones celulares monofuncionais, não fosse a revolução dos smartphones. Devemos isso a quem incorporou às nossas vidas essas invenções tecnológicas, hoje utilizadas por qualquer ser humano. E computador pessoal, ah, esse sim, sem nossos mouses e Windows, ainda estariam afetos apenas a profissionais e estudantes de informática.

Jobs foi nosso guru por causa disso. Guiou até aqui uma geração de informáticos e uma outra geração, muito maior, de usuários comuns que hoje dedilham num telefone celular recursos computacionais inimagináveis há uma década, que digitam num computador pessoal como jamais imaginamos fosse possível. Ele captou e transformou as idéias de toda uma geração em produtos populares.

Como tudo rápido que passou pelas suas mãos, sua doença igualmente nos levou, deixando órfã toda uma geração de profissionais, talvez jurássicos como ele, que acreditavam que ideias podiam mudar o mundo como mudaram. E como mudaram. A nós restou a tarefa de apontar para onde caminhará a tecnologia do futuro. A tarefa de descobrirmos o que é necessário ter. O visionário Steve Jobs vai fazer falta ao mundo, o que não é pouca coisa.


O autor, Erick Prado Arruda, é analista de aistemas, advogado, diretor regional do Sindicato dos Trabalhadores em Tecnologia da Informação de São Paulo

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