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Ferromodelismo homenageia Pelegrina

Da Redação\Com Tânia Morbi
| Tempo de leitura: 4 min

Por volta das 9h30 de ontem, a Estação Noroeste do Brasil (NOB), conhecida como Estação Ferroviária, voltou a ter movimento, como nos velhos tempos. Estava aberto o 4º Encontro Histórico Ferroviário e de Ferromodelismo. O homenageado deste ano, que recebeu o Diploma do Mérito Ferroviário “Irineu Evangelista de Souza - Barão de Mauá”, foi o historiador bauruense Gabriel Ruiz Pelegrina, 90 anos, ferroviário durante 40 anos. O encontro proessegue hoje.

A cerimônia de homenagem ao historiador teve início às 10h30. Ricardo Bagnato, presidente da Associação de Preservação Ferroviária e Ferromodelismo de Bauru, iniciou o momento destacando o “DNA ferroviário” que existe em cada bauruense. “É muito gratificante estarmos homenageando o senhor Gabriel. Eu gosto de dizer que todo bauruense tem um DNA ferroviário”.

Com um pouco de dificuldades para se pronunciar com rapidez, no entanto com uma memória invejável, Gabriel Pelegrina agradeceu a 34ª homenagem que recebe em Bauru. “Esta é a 34ª homenagem que eu recebo. Me lembro do momento da guerra do Paraguai que aconteceu entre 1965 e 1969. Lembro do passado longínquo que eu transformei em um rico acervo com mais de 100 livros que tenho”. Ferroviário durante 40 anos, Gabriel destaca um momento que marcou sua história. “Me lembro da morte de Inocêncio Ferraz. Ele tinha uma espingarda e o seu filho aprendeu a atirar. Certa vez, ele estava entrando e o filho não viu que era ele. Achou que era um estranho e atirou. Matou o próprio pai”, relatou.

 

Lazer

O público que passar pelo evento durante o dia de hoje poderá contar com ampla estrutura de expositores de ferromodelismo, vendedores, Feira Ubá de Artesanato, praça de alimentação diversificada e o tão esperado passeio de Maria Fumaça, a locomotiva 278. “O evento passa a ser um desafio a cada ano. Nós vamos aprendendo, evoluindo em qualidade e conteúdo agregando outros valores culturais”, destacou Bagnato.

 

 • Serviço


O 4º Encontro Histórico Ferroviário e de Ferromodelismo ainda acontece durante o dia de hoje na Estação Ferroviária Central de Bauru, na praça Machado de Mello, hoje, das 9h às 18h.Informações: 9742-3054 ou pelo site www.apffb.com

 

“Trem da Morte”

Moradora de Santo André, Thais Sabino se locomovia regularmente de trem até São Paulo, onde cursou jornalismo. Foi em uma destas viagens que descobriu algumas histórias sobre o faoso "Trem da Morte". Os relatos deram ideia para um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) e, em seguida, ao livro  “As vozes de uma lenda”.

“É um livro reportagem que traz vários relatos de pessoas que pegavam este trem e contam de assassinatos, pessoas que caíam dos vagões e até flechadas que os índios acertavam nos passageiros porque os vagões não tinham janelas. São relatos que justificam o nome do livro”.

O livro “As vozes de uma lenda” está sendo vendido a R$ 30,00 no 4º Encontro Histórico Ferroviário e de Ferromodelismo de Bauru e também pode ser adquirido por R$ 40,00 através do site www.thaissabino.com.br.

 

Paixão de gerações

Angelo Francisco Pereira, 36 anos, - morador de Jaú -, tinha apenas 10 quando ganhou sua primeira locomotiva. Seu avô era ferroviário e tirava fotos das ferrovias. O hobby atravessou gerações, foi adotado pelo pai de Angelo e chegou a ele. “Eu também gostava de tirar fotos. Até hoje ando com a câmera fotográfica nos encontros de ferromodelismo que vou. Mas me apaixonei mesmo pelas maquetes”.

Para construí-las não basta ter as locomotivas, vagões e uma boa imaginação. É preciso estudar a história de cada estação que será construída. “Esta estação por exemplo é construída em madeira balsa. Para construí-la eu estudei a foto e descobri que ela ficava entre Jaú e Dois Córregos”, disse. 

 

Maria Fumaça

Na saída do passeio de Maria Fumaça lá estava Getúlio Pitolli, 72 anos, que levou seu neto Caio César Pereira Pitoli, 6 anos, para sua primeira volta na locomotiva histórica.

 “Me bateu uma saudade. Eu andei muito de trem mas ele não conhecia. É uma pena que não tem mais trens aqui”, lamentou.

 

 

Fazendo história

Marco Aurélio Cordeiro leva o sobrinho Paulo Ricardo da Silva, 11 anos, em todos os encontros de ferromodelismo em Bauru. Pela quarta vez consecutiva, Paulo ainda se encanta com as maquetes e tira muitas fotos.

“Eu trago sempre ele. Já comprei vagões e trilhos para ele começar a colecionar. Acho muito importante não deixar essa história se perder”, diz Marco.

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