Regional

Pouso forçado de um monomotor em Lençóis foi por falha mecânica

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Lençóis Paulista – O piloto do monomotor encontrado abandonado anteontem à noite em uma pista de pouso desativada às margens da vicinal que liga Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru) a Borebi, próximo a uma usina, apresentou-se à polícia e disse que foi obrigado a fazer um pouso forçado no local após se “perder” e ouvir um barulho no motor. Ao tocar o chão, o trem de pouso e partes da hélice e da asa da aeronave foram danificados.

Conforme antecipado pelo Jornal da Cidade na edição de ontem, apesar das suspeitas iniciais de que o avião pudesse estar sendo utilizado para transportar drogas ou produtos contrabandeados, já havia a informação, até então não confirmada, de que a aeronave havia realizado um pouso de emergência na zona rural de Lençóis Paulista após o piloto ter se perdido.

Ontem, o delegado Renzo Santi Barbin, responsável pelas investigações, confirmou a versão e disse que tudo não passou de um mal-entendido. Segundo ele, o avião da Embraer, prefixo PT-ECA, com mais de 30 anos de uso, apesar de registrado no nome de uma empresa de táxi-aéreo do Pará, pertence hoje a um homem de 55 anos, morador de Itápolis, que possui brevê.

O piloto contou ao delegado que a documentação do monomotor está irregular e que ele vem tentando deixá-lo em perfeitas condições para regularizar sua situação junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Anteontem, ele teria viajado até a cidade de Paranavaí para adquirir itens de tapeçaria e estava retornando para Itápolis.

“Esse avião estava sem GPS, só estava com uma bússola. E essa bússola estava com uma folga de mais ou menos 35 graus, o que fez com que ele se perdesse”, diz. “Além disso, ele ouviu um barulho esquisito no motor do avião, avistou essa pista de pouso desativada e resolveu fazer a manobra. Quando o pneu teve contato com o solo, danificou o trem de pouso”.

De acordo com Barbin, após o pouso de emergência, ao perceber as avarias no monomotor, o piloto teria ido até Lençóis Paulista em busca de um mecânico que pudesse ajudar a consertá-lo. Nesse intervalo, a Polícia Militar (PM) foi acionada por populares para atender ocorrência de suposto abandono de aeronave.

“Ele disse que, quando estava retornando com o mecânico, viu a aglomeração de policiais, viaturas, se assustou e resolveu voltar para o município e buscar algum advogado que pudesse auxiliá-lo”, conta. Acompanhado do profissional, ele voltou ao local e relatou toda a história à polícia.

O delegado explica que o avião foi apreendido e levado até o aeroporto da cidade, onde foi submetido à perícia. O piloto se comprometeu a desmontá-lo e, dessa forma, obteve a autorização da polícia para levar as peças até Itápolis. “Embora não tenha nenhum ilícito penal praticado, esse avião está irregular. Eu jamais poderia liberá-lo assim”, declara.

Apesar de considerar o caso esclarecido, Barbin informou que as informações prosseguem e que a polícia ainda irá tentar identificar testemunhas que comprovem a versão do piloto. Ele aguarda ainda resultado do laudo da perícia realizada pela Polícia Científica no interior da aeronave.

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