Política

Funprev vai à polícia contra apócrifos

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

A direção da Fundação de Previdência (Funprev) foi à Polícia Civil requerer abertura de inquérito para apurar o que está sendo considerado "fabricação de denúncias" contra integrantes do órgão, boa parte de autoria apócrifa (anônima). A Polícia Civil abriu procedimento junto à Delegacia Seccional para averiguar o requerimento, em razão dos citados serem servidores municipais.

Para o presidente da Funprev, Vanderlei Tomiati, os servidores citados em eventuais irregularidades levadas aos vereadores e que culminaram com abertura de Comissão Especial de Inquérito (CEI) não podem sofrer os prejuízos decorrentes da denúncia anônima. "Da mesma forma que achamos legítimo que o servidor público e o órgão público preste informações, e é o que estamos fazendo e com transparência e ampla divulgação dos atos internos, não é justo que a legislação seja jogada no lixo e não se exerça a proteção quem trabalha direito. Quem quer denunciar, que se apresente, assine documentos e não fique escondido em apócrifos", critica Tomiati.

No inquérito policial, cujo procedimento já conta com o depoimento de Tomiati, ele pede averiguação da origem das denúncias. "Tem gente induzindo vereador a erro com informação falsa e inverídica. Tem até fabricação de dado para criar um clima de irregularidade. Os vereadores estão no seu papel de apurar, mas também devem estar atentos ao cumprimento da legalidade na proteção do servidor público", menciona.

O presidente da fundação cita, ainda, que está sendo requerido no inquérito a identificação de documentos que foram levados aos vereadores. "A Câmara Municipal é um órgão público e queremos saber como esses documentos chegaram aos vereadores. A órgãos de imprensa fizeram entrega até por moto táxi, mas na Câmara teve vereador que recebeu envelope das mãos de alguém. E as câmeras internas registram quem entra e quem sai de lá. É preciso identificar o autor, sem o qual não haverá que se garantir o regresso contra quem gerou até documento ou informação falsa para sustentar denúncia", cita.

Ele reforça que o ambiente da denúncia aponta para vingança contra o grupo que atua na fundação desde 2009. Tomiati é o atual presidente a Elaine Sementille comandou a gestão anterior. "Os documentos também identificam quem representou contra quem e quem agiu contrário aos interesses da fundação em procedimentos assinados levados ao Ministério Público. O cruzamento dessas informações vai levar à identificação, até pelo bem do serviço público. Tem gente escondida atrás da cortina, com currículo nada louvável para ser servidor público, que vai ter de sair do anonimato mais cedo ou mais tarde", enfatiza.

Na próxima terça-feira, a Comissão Especial de Inquérito (CEI) que apura denúncias acerca de possíveis irregularidades na Fundação da Previdência (Funprev), vai ouvir outros servidores já convocados, a partir das 10 horas, em plenário. Já foram ouvidos o presidente Vanderlei Tomiati, a conselheira e ex-presidente Elaine Sementille e o procurador jurídico Marcos Rios.

Além disso, a comissão presidida por Fabiano Mariano (PDT) e relatada por Moisés Rossi (PPS) aguarda o envio de documentos solicitados à Funprev.

A CEI apura eventuais irregularidades em concursos públicos realizados nos anos de 2010 e 2011, o que inclui o de economista e de vigia. O pagamento de horas extras e vantagens pessoais no período de 2009 a 2011 também é alvo das investigações da comissão. Também está sendo verificado o pagamento de horas extras a outros servidores no período, como a Liege da Silva Figueiredo Sementille.

Com a inclusão das vantagens pessoais no texto da CEI, também é contemplado no processo a apuração do pagamento de 25% de abono a cargos comissionados e compra de cesta de Natal em 2010, este "presente" financiado por bancos que mantém negócios (aplicações) com a fundação.

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