Marcelo Ninio
Ancara - Enquanto Dilma Rousseff evitava o assunto em sua visita à Turquia, a diplomacia brasileira elevou na ONU o tom das críticas à Síria pela repressão violenta aos protestos contra o regime.
Em sua intervenção no debate dedicado à Síria ontem no Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, o Brasil disse estar "seriamente preocupado".
"A reação violenta do governo a protestos pacíficos é inaceitável", disse a embaixadora brasileira, Maria Nazareth Farani Azevêdo.
Na terça passada, o Brasil havia optado pela abstenção no Conselho de Segurança da ONU, em Nova York, na votação de uma resolução de condenação à Síria. A proposta acabou barrada pelos vetos de Rússia e China.
A posição intermediária do Brasil em relação à Síria foi a principal dissonância na chamada "parceria estratégica" com a Turquia, ressaltada por Dilma em sua primeira visita como presidente a um país muçulmano.
O contato da presidente com a imprensa brasileira se resumiu a um vago pronunciamento após o encontro com o presidente turco, Abdullah Gull, em que ela exaltou a Primavera Árabe.
Sem mencionar nominalmente a Síria, Dilma reiterou a rejeição a medidas punitivas, num contraste com o anúncio da Turquia nesta semana de que aplicará sanções contra o país vizinho.
"O isolamento, a punição e o uso da força serão verdadeiramente os últimos recursos", disse Dilma.
O assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, negou que haja divergências entre os dois países.
As diferenças são óbvias. Enquanto o Brasil mantém uma política de "morde e assopra" - como definiu um diplomata que pediu para não ser identificado - o governo turco afia os dentes.