É comum sofrermos com a falta de água em Bauru e logo aparecer a explicação mágica que o problema foi ocasionado pela seca. Está correto? Sim e não. Alguns bairros de Bauru realmente são castigados pela falta de chuva, porém, isso não afetaria toda a cidade se houvesse um pouco de atenção do Poder Público.
No nordeste é comum escutarmos que o problema da seca seria facilmente resolvido se de fato fossem perfurados poços no semi-árido, já que água existe no subsolo, mas a sede em "resolver" eternamente o problema da seca faz com que os governantes prolonguem a solução. Em Bauru temos uma situação parecida, já que estamos sobre o Aquífero Guarani e mesmo assim sofremos com a falta d?água. Temo que a perfuração de mais poços não resolva o problema. Explico!
Existe um poço perfurado na av. Cruzeiro do Sul, onde o DAE está aguardando a realização de licitação para adquirir uma bomba d´água, mas essa poderia ter sido comprada e instalada logo após a perfuração do poço. O correto seria instalar a bomba e depois construir o reservatório. Enquanto a obra era feita, já estaria normalizada a distribuição de água no local. No final, era só interligar a bomba d´água com o reservatório, mas preferiram construir o reservatório primeiro. Outro fato gravíssimo é que dezenas de apartamentos construídos pela empresa MRV foram liberados e outras dezenas serão entregues sem que a região do Higienópolis tenha abastecimento de água satisfatório.
Do jeito que estão fazendo, teremos que esperar a eleição para a inauguração do reservatório virar palanque eleitoral. Tem também o caso do poço Marabá, perfurado e abandonado atrás da Unip. Este serviria para suprir a demanda do Samambaia e adjacências, já que lá existe um outro poço que não suporta toda região. Hoje o Marabá está esquecido, sendo coberto pelo mato.
Assim, não adianta perfurar dezenas de poços se não há gestão e se não há prioridade em resolver o problema de falta de água no município. Se estiver errado, gostaria que o DAE respondesse minhas dúvidas, já que é interesse e necessidade da maioria dos bauruenses. Não esqueça, sr. prefeito: água é vida!!!
Eduardo Borgo