Botucatu – Ontem de manhã, após dois meses aguardando uma solução por parte da diretoria, 56 médicos veterinários, residentes da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu (100 quilômetros de Bauru), paralisaram o atendimento no Hospital Veterinário. Os profissionais reivindicam respeito à carga horária estabelecida ou pagamentos pelas horas extras realizadas.
Caio Zuim, presidente da Associação dos Médicos Veterinários Residentes de Botucatu, conta que a demanda atendida pelos veterinários está sendo maior do que a quantidade de profissionais disponível. “Nossa obrigação, como residente, é trabalhar 60 horas semanais, mais um plantão de 10 horas, de fim de semana, por mês. E a gente está trabalhando muito mais do que 60 horas semanais devido ao alto número da casuística do hospital”, declara.
Segundo ele, os residentes recebem bolsa mensal de cerca de R$ 1.100,00 para trabalhar de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, mais o plantão. “A gente tem que ficar trabalhando depois das 18h e o nosso plantão, que seria de 10 horas, eles aumentaram para 11 horas”, revela. “A gente está trabalhando mais e não está ganhando nada a mais no plantão, por exemplo. Não estamos ganhando uma folga depois do plantão, mesmo trabalhando mais de 80 horas por semana”.
Se não for possível evitar atendimentos extras, os residentes pedem para que, pelo menos, essas horas sejam remuneradas. Por enquanto, de acordo com Zuim, a diretoria da faculdade não se pronunciou a respeito. “Eles só responderam uma carta falando que iam entrar em contato com o Jurídico do câmpus da Unesp e que tínhamos que aguardar. Só que os residentes não querem aguardar e, enquanto isso, nós vamos ficar em greve”, afirma.
O presidente da associação explica que os professores estão atendendo normalmente e pede para que a população apoie a paralisação dos residentes. “Se a gente melhorar isso (respeito a carga horária), melhora a qualidade do atendimento do hospital também”, pontua. “Está prejudicando um pouco a sociedade, mas a gente está lutando por uma melhor qualidade para que, futuramente, os proprietários e seus cachorros possam ser atendidos melhor”.
Ontem à tarde, nenhum membro da diretoria da faculdade foi localizado para comentar o assunto. A reportagem do Jornal da Cidade também entrou em contato com a assessoria de imprensa da Unesp, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.