O ser humano é um bicho esquisito por natureza, e o brasileiro em alguns aspectos se supera. Além da inépcia governamental de não oferecer um ensino que preste a todos nem obrigar efetivamente que todos estudem e se formem adequadamente (só passar de ano por decreto não ajuda em nada na prática, apenas para as estatísticas fajutas de redução de analfabetismo), o cidadão médiotambém não se esforça em aprender mais e teima que já sabe tudo, pois aprendeu na "escola da vida"... Daí sair falando bobagem sobre qualquer assunto como se entendesse, irrigando ainda mais sua vaidade.
É neste meio que proliferam os "entendidos" de carros e suas lendas. Ouvimos tantas besteiras ditas com convicção que muitos acreditam e as divulgam ainda mais. Vejamos o caso dos veículos a álcool que eram uma boa solução técnica, mas foi só começar a faltar combustível no mercado que já criou fama de problema e ninguém mais quis. Hoje, com os motores Flex todos usam o álcool enquanto este estiver com preço abaixo de 70% do da gasolina. Pelo menos, aprenderam a fazer conta.
Outra característica de algumas pessoas é comprar um carro zero km pelado e muito menor que sua necessidade por causa do preço, ao invés de comprar um usado maior e mais bem equipado pagando a mesma coisa. E o status de ter um novo, como fica? Comprando um carro usado com 3 anos de uso e relativa baixa quilometragem, você leva um veículo maior com ar condicionado, direção hidráulica e o escambau pelo mesmo preço de um popular zerinho. Já demonstrei aqui nesta coluna que um motor atual pode rodar bem mais de 150.000 km sem precisar de retífica, desde que feitas todas as revisões e manutenção periódica regular. Então, porque trocar de carro só por que está com 50.000 km? Se for pela depreciação tudo bem, pois a diferença de preço para um novo começa a ficar grande. Aí é que aparece a chance de se comprar um (ainda) bom carro usado e bem equipado, por um preço de carro pequeno.
O brasileiro precisa aprender a escolher pela utilização e pela necessidade, não apenas pelo preço. A política de compra pelo preço mínimo penaliza a competência, tecnologia e qualidade, pois estas custam mais do que as que os outros produtos que não as têm. O correto é escolher o que for mais adequado para sua necessidade e aí sim, depois de definida a marca e modelo, pesquisar preços do mesmo produto em diversas lojas.
Lembre-se que existem diversos modelos de carros no mercado, cada um com suas características. Quem só usa em cidades em trajetos curtos, deveria optar por um veículo pequeno e econômico, que estacione fácil e que seja ágil no trânsito. O ideal seria um motor 1.0 e câmbio de 4 marchas (só em cidade, pra quê 5 marchas??), mas o pessoal ainda pensa que "se não tiver a 5ª marcha, perde valor da revenda" e os fabricantes, que não são nada bobos, só lançam modelos "errados", mas que atendem ao gosto popular e se tornam sucesso de vendas...
Outra coisa interessante é a pintura da carroceria. Como a maioria prefere preto ou prata, é difícil comprar um carro novo de outra cor, geralmente só encomendando e com poucas opções. O resultado é visto no trânsito, só tem preto e prata! Cadê a criatividade, gente?
O uso de picapes pequenas derivadas de automóveis como Strada, Fiorino, Saveiro, Montana e Courier, por exemplo, é indicado para quem transporta carga leve dentro da cidade ou que pegue a estrada levando sua moto ou prancha de surf, já que ela só leva duas pessoas na cabine e tem um bom bagageiro. Agora, andar sozinho na cidade com uma lona marítima na caçamba e um monte de alto-falantes dentro berrando uma musiquinha grotesca do tipo bate-estaca, além de proibido é de uma babaquice sem tamanho!
Um carro precisa ser escolhido tendo em mente o uso que se vai fazer dele. É claro que quem o usa na cidade durante a semana, vai ao sítio nos fins de semana e viaja nas férias com a família precisa ter um carro versátil, o que o torna cada vez mais caro. Se não puder ter mais de um na garagem, procure aquele que reúne mais atributos que resolvam seus problemas. Se tem família com criança pequena, carrinho e um monte de coisas, o ideal é uma perua ou minivan. Pode não ser tão charmosa quanto um belo esportivo mas não irá deixá-lo na mão nem pagando mico na estrada, com o carro lotado atolado na areia da praia...