Tribuna do Leitor

As mães do pós-operatório do Centrinho


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O Centrinho é completo em tudo o que faz. Daí ser o melhor hospital da América do Sul no que tange às Anomalias Craniofaciais. Mas, até aqui, todo mundo sabe!

Agora, as ações que surgem naturalmente do encontro das mães no mesmo local para resgatar a perfeição e saúde de seus filhos são impressionantes. Fogem da visão dos que passam em frente ao gigante nosocômio! Em todos os espaços, atendimento de ponta para os internados e acompanhantes. Parece que estamos num outro mundo, onde todos são iguais.

Eu e outras mães esperávamos, no setor de Recreação, o retorno de nossos filhos do Centro Cirúrgico para o Pós-Operatório, onde ficaríamos o tempo todo com eles...

E, enquanto cuidávamos de nossas cri-anças, trocávamos informações sobre a vida e tudo o mais. E cada mãe tinha uma grande história para contar, além da dedicação, amor e esperança para semear. Aprendíamos umas com as outras sobre enfermagem básica, al-ternativas de zelo e paciência.

Todas falavam a mesma linguagem quando se referiam ao grande Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais, ao doutor José Alberto de Souza Freitas, o nosso querido Tio Gastão, e à impossibilidade de cura sem sua existência, pois todas as soluções para os problemas da face e crânio estão centradas naquele aconchegante espaço de gênios e de amor!

E nessa convivência de espera e es-perança as mães vão se juntando como crianças na hora do recreio escolar: umas ensinando a confeccionar flores com pedaços redondos de tecidos; outras a pintar bichinhos, sem esquecer de trocar receitas culinárias simples e práticas. De repente, o silêncio e o minuto de oração pelas nossas crianças e uma rápida visita à Capela para agradecer tanto o que esperamos.

Depois desse intervalo solene, o reco-meço: procurar um cafezinho preto, visitar outras mães, ler revistas e tecer comentários sobre o mundo e seu valores, convidando as colegas mães para visitar suas casas, na Bahia, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Recife e Bauru! Trocamos nossos endereços e telefones e combinamos um encontro na minha casa, em Bauru, assim que tivessem que retornar com seus filhos. O tempo psicológico de nossa reunião foi tão forte que acredito ter nascido um início de verdadeira amizade. Tudo começou com a profissão e missão Mãe!

Foram tão saudáveis aqueles dois dias que, quando o doutor falava da comunicação de alta, chorávamos e preparávamos tudo com tanto vagar, para aproveitar um pouquinho mais da presença dos médicos, enfermeiros e da companhia umas das outras. E depois de quase sair, voltávamos para dar um novo recado. Não queríamos deixar umas às outras! Que sensação gostosa e serena de paz e fraternidade!

Hoje, como eu, elas estão com saudade e desejando que a distância fosse viável para uma visita e reencontro das mães esperançosas na dor! Mas, com certeza, acontecerá!

Obrigada, Centrinho e equipe! Um agrade-cimento especial aos doutores cirurgiões Aparício Fiuza de Carvalho Dekon, Lílian Matsunaga Diniz, Celso Kenji Nishiyama e Francisco de Assis Brunetto (anestesista), devotados no que fazem!

Mãe Cristiane Fernandes - Mãe Luciana Midori Torelli - Mãe Liliane Rocha e Mãe Catarina Carvalho

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