Esportes

JC traz especial sobre Pan-Americano 2011


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Começam hoje, às 22h, os Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, no México. A cerimônia de abertura, realizada no Estádio Omnilife, onde também ocorrerão as disputas de futebol, marca o início da busca do Brasil para se firmar como potência continental, o que passa pela conquista da 1000ª medalha do País na competição e por superar a Argentina no número de ouros na história.

Na noite de sexta-feira, a bandeira brasileira será carregada por Hugo Hoyama. O mesa-tenista, maior campeão pan-americano do País, será o porta-bandeira nacional na cerimônia de abertura no México. As disputas esportivas começam apenas na manhã de sábado, 15 de outubro, e vão até o dia 30 do mês.

O Brasil chega a Guadalajara com 923 medalhas das outras 15 edições do Pan, com destaque para o Rio de Janeiro-2007, em que a delegação nacional superou o Canadá e ficou com a terceira colocação do quadro de medalhas, com 157. Com a missão de se manter à frente dos canadenses e se aproximar de Cuba, segunda potência esportiva do continente, o País deve conquistar no México sua 1000ª, já que a última vez que subiu menos do que 77 vezes ao pódio foi em Indianápolis-1987.

“Sempre tentamos fazer o melhor. O esporte na América Latina teve crescimento muito grande. Além de Cuba e Brasil, não podemos esquecer que o México está em casa e participa de todas as provas, diferente do Brasil, Além da Argentina, Colômbia e Venezuela. Isso valoriza o esporte latino-americano”, diz o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman.

A esperança do Brasil em deixar Guadalajara com bom desempenho passa por nomes importantes do esporte mundial. Os campeões olímpicos Cesar Cielo e Maurren Maggi, a campeã mundial do salto com vara, Fabiana Murer, e o dono de seis medalhas de ouro do Pan do Rio-2007, Thiago Pereira, são alguns dos atletas nacionais que podem brilhar em terras mexicanas. Em algumas modalidades, o resultado do Pan pode significar uma vaga nas Olimpíadas de Londres-2012, uma motivação extra aos competidores.

“Um evento como esse é um momento mais coletivo. É hora de pensar mais no grupo, mais no Brasil e sair daqui com a cabeça completamente voltada para os Jogos Olímpicos. O Pan é o primeiro passo olímpico”, destaca Cielo, campeão olímpico e mundial e também dono da melhor marca do mundo nos 50m livre. “O clima dos Jogos Pan-Americanos é muito bom. A adrenalina começa a bater, a gente vê que a coisa é mais séria”, completa o nadador, que subiu ao lugar mais alto do pódio três vezes no Rio de Janeiro.


 

Chuva pode mudar abertura

A cerimônia de abertura do Pan-Americano de Guadalajara pode ter mudanças por causa do mau tempo, segundo Bernardo de la Garza, presidente da Comissão Nacional de Esportes do México. “Até onde sei, poderia cancelar algumas coisas. Na questão esportiva não há tanto problema. É a inauguração que pode ser afetada”, disse Garza ao jornal “Informador”.

O dirigente, porém, disse não saber quais seriam essas mudanças. Algumas regiões do México sofreram com a chuva na quarta-feira. Para esta sexta, a meteorologia indica chuva em Guadalajara, mas sem grande intensidade. O maior medo da organização era em relação ao furacão Jova, que perdeu força e virou tormenta tropical. Os mexicanos, porém, estão otimistas e acreditam em chuva passageira no horário da cerimônia de abertura do Pan.

Os buracos nas ruas próximas ao estádio de atletismo do Pan foram transformados em crateras com a chuva insistente das últimas horas. O cenário de obra inacabada dos arredores, porém, não é muito diferente no interior da arena pan-americana.

Os últimos operários que deixaram o estádio em Zopapan, cidade rica na região metropolitana de Guadalajara, anteontem, disseram à reportagem que aqueles eram seus últimos trabalhos no local. Os outros ainda instalavam as portas e azulejos nos banheiros destinados aos torcedores, tentavam bombear a água que inundou o fosso que separa a arquibancada do campo e, ainda, instalavam cabos debaixo da pista.

 

‘Briga’ com Argentina vira motivação

A disputa com a Argentina também deve ser um motivador para os atletas nacionais no Pan-Americano de Guadalajara. Somadas as outras 15 edições do Pan, o Brasil tem 239 medalhas de ouro, contra 258 do país vizinho. Para se garantir como o melhor da América do Sul na história da competição continental, o País precisa deixar o México com 20 primeiros lugares conquistados a mais do que os rivais.

Em 2007, ano em que contava com representantes em todas as modalidades, por ser a sede do evento, a delegação nacional conquistou 52 ouros, contra apenas 11 da Argentina. Quatro anos antes, em Santo Domingo, a vantagem foi consideravelmente menor, 29 a 16. “Os dois estão fazendo contas. Se pudermos, é evidente. Vamos lutar sempre pelo melhor resultado possível, sem esquecer que no Rio estávamos em todas as provas e aqui não. Aqui temos um limite de cota”, afirma Nuzman, que descarta o acirramento da rivalidade e ressalta o bom relacionamento entre os dois países.

“Desde minha época do vôlei nunca tive problema de relação com argentinos. Ao contrário, sempre estivemos muito juntos e muito bem. Tenho uma relação pessoal com o presidente do Comitê Olímpico Argentino. É uma disputa sadia e que faz parte da história do esporte dos dois países”, diz o presidente do COB, que disputou os Jogos Olímpicos de Tóquio-1964 com a Seleção masculina de vôlei.

Apesar da confiança dos atletas brasileiros, conquistar uma medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara não será tarefa fácil. A exemplo das edições anteriores da competição, estrelas e jovens talentos de Estados Unidos, Cuba, Canadá e outros países do continente chegam com força à disputa.

A delegação norte-americana, que no passado contou com Mark Spitz, Michael Jordan e Michael Phelps, tem 82 atletas olímpicos, entre eles 40 medalhistas, como a saltadora Jenn Suhr, prata em Pequim-2008. Ela é dona da melhor marca da temporada no salto com vara e será a principal concorrente de Fabiana Murer pelo ouro na categoria.

Os atletas norte-americanos também chegam a Guadalajara com a responsabilidade de manter seu país hegemônico dentro do continente. Das 15 edições do Pan, os Estados Unidos ficaram com a liderança geral do quadro de medalhas em 13. Apenas em Buenos Aires-1951, primeira vez que o evento foi disputado, e Havana-1991 o país foi superado pelos donos da casa. As primeiras competições do Pan 2011 tem início neste sábado, nas seguintes modalidades: badminton, natação, ginástica rítmica, handebol feminino, pentatlo moderno, squash, taekwondo, tênis de mesa e vôlei feminino.

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