A ação de uma pessoa deixou moradores de uma quadra inteira sem energia elétrica anteontem. Durante a poda irregular de uma árvore na rua Minas Gerais, no Parque Paulistano, galhos atingiram a rede elétrica causando a interrupção do fornecimento durante quatro horas. Segundo a Semma (Secretaria Municipal de Meio Ambiente), apenas esse ano, foram realizados 90 autos de infração devido ao corte irregular de árvores em Bauru.
Um morador da rua, que preferiu não se identificar, contou que pessoas desconhecidas fizeram a poda de duas árvores que ficam em frente a um imóvel desocupado alegando que teriam sido contratados por um morador da rua. A alegação para o corte dos galhos seria de que as árvores estariam deixando a rua escura. “Voltei para dentro de casa, continuei ouvindo eles cortarem e de repente ouvi um estouro muito forte, quando vimos, eles tinham ‘depenado’ a árvore inteira e um dos maiores galhos pegou no fio e quebrou o fio de eletricidade”, contou o morador.
Todas as pessoas da quadra 11 da rua ficaram sem energia. Devido ao problema e ao desentendimento entre os moradores, a Polícia Militar foi chamada e registrou a ocorrência.
De acordo com o mesmo morador, que reside no endereço há sete anos, as árvores da rua Minas Gerais são constantes vítimas de ações clandestinas. “Quando eu mudei aqui a quadra era muito arborizada, mas depois um morador arrancou uma das árvores da quadra. Depois outro podou a árvore até o toco e agora tem essas duas que fizeram a mesma coisa”, lamentou.
De acordo com a Semma (Secretaria Municipal de Meio Ambiente), o corte ou poda de árvores só é autorizado a proprietários de imóveis onde estiverem plantadas as árvores ou a donos de imóveis que tiverem árvores plantadas em frente. Para terceiros, a autorização só é fornecida com a apresentação de um procuração do proprietário.
Apenas esse ano, a Secretaria aplicou 90 autos de infração devido à supressão irregular de árvores em toda cidade. Foram deferidos 650 processos de supressão e 303 foram indeferidos.
Os números são expressivos, na opinião do secretário de Meio Ambiente Valcirlei Gonçalves da Silva. “Infelizmente ainda existe essa cultura de que árvore não tem dono e ocorre com frequência grande dessa ação indevida”, lamentou.
Para pedir a poda ou remoção de árvores o munícipe deve procurar o guichê da Semma no Poupatempo (avenida Nações Unidas, 4-44) e apresentar RG, CPF e comprovante de propriedade do imóvel (IPTU, escritura ou matrícula do imóvel). O requerimento é preenchido na hora, vira processo na Secretaria e depois da vistoria dos biólogos, é autorizado ou não. Em caso positivo, a autorização é publicada no Diário Oficial e o munícipe passa a ter 30 dias para a remoção e outros 15 para o novo plantio.
“Se a árvore tiver causando dano ao imóvel, rua, tubulação de água ou esgoto, se estiver com alguma doença que comprometa a vida da planta ou ainda se apresentar risco eminente de queda, são os principais fatores que permitem a retirada da árvore”, explicou o secretário.
Penalizados
No caso da rua Minas Gerais, se houve dano, tanto a pessoa que efetuou a poda quanto a que autorizou podem ser autuadas, de acordo com o secretário Valcirlei da Silva. “A gente procura sempre ver o responsável, porque quem fez a poda pode não saber que não tinha autorização, mas quem mandou deve saber se tem ou não autorização”, afirmou. Devido à queda de energia ocorrida em função da queda de galhos, o secretário disse ainda que os autores da ação podem ser também acionados pela concessionária de energia. “Na verdade a ação dela prejudicou um patrimônio da CPFL e se houve dano a empresa pode pedir na Justiça o ressarcimento”, afirmou Silva.