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Chuva atrasa retomada dos Correios

Neto del Hoyo
| Tempo de leitura: 3 min

Após 28 dias em greve, funcionários da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) retomaram as atividades à 0h de ontem seguindo a determinação do Tribunal Superior do Trabalho (TST) que na última terça-feira decretou o fim da paralisação sob pena de multa aos que a descumprissem. O tribunal também fixou o reajuste salarial da categoria em 6,87% - retroativo a 1º de agosto - além de conceder aumento real de R$ 80,00 com validade a partir de 1 de outubro.

Neste período de greve, apenas nos quatro postos de distribuição de Bauru, a estimativa é de que cerca de 2,5 milhões de correspondências tenham deixado de ser entregues no prazo. Em nível nacional a estimativa é de que 184 milhões de cartas e encomendas tenham atrasado.

Enquanto os Correios afirmam que serão necessários de 7 a 10 dias para que os serviços voltem ao normal, funcionários descontentes com a imposição judicial acreditam em um prazo ainda maior.

"Estou há mais de 20 anos na empresa e queríamos apenas reconhecimento. Não foi o que nós esperávamos (a decisão), pois não nos trouxe ganhos, apenas prejuízos. Agora vamos ter que trabalhar aos domingos para compensar os dias parados e com esse tempo de chuva a ?coisa? vai ficar ainda mais difícil. Acho que a regularização pode demorar até 15 dias", revelou à reportagem um carteiro que preferiu não se identificar.

Conforme destacou o funcionário, de acordo com imposição do TST a empresa descontará dos funcionários 7 dos 28 dias não trabalhados, sendo que os outros 21 serão compensados aos domingos até maio de 2012.

Serviço acumulado


O carteiro ainda lembrou que, além do acúmulo destes 28 dias de paralisação, o montante diário deve sofrer aumento em relação aos dias normais neste período pós-greve. "O pessoal que estava esperando a greve terminar agora vai postar seus objetos e o trabalho vai triplicar. E, como disse, se a chuva atrapalha até em dias normais, imagine agora".

Presidente do Sindicato dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios, Telégrafos e Similares (Sindecteb), José Aparecido Gimenes Gandara acredita que apesar da conquista de alguns benefícios, a imposição acabou gerando um desconforto entre os trabalhadores. "A negociação não evoluía e teve que parar em um intermediador, que foi o TST. E quando um impasse vai a julgamento isso significa que o trabalhador estava descontente com a proposta. O que nós defendíamos era uma acordo sem que fosse preciso um intermediador. Tudo o que é imposto é ruim, o próprio nome já diz".

De acordo com o Sindecteb, na região de Bauru o movimento contou com a participação de 90% dos funcionários, entre carteiros, operadores de triagem e motoristas. "É por essa adesão que a categoria se sente vitoriosa. Mesmo com a arrogância da empresa, continuamos batalhando. Foi uma adesão recorde em nosso sindicato, com mais de 30 cidades e 90% de funcionários. Isso mostra a força dos trabalhadores", conclui.

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Bancários podem voltar 2ª feira


Bancários de todo País devem participar de novas assembleias hoje para discutir proposta feita pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) que se reuniu ontem com os sindicatos para propor novo acordo e colocar ponto final na greve da categoria que chega hoje ao 18º dia.

De acordo com o diretor do Sindicato dos Bancários de Bauru, Paulo Tonon, além da nova mesa de negociações com a Fenaban, ainda são aguardadas outras duas rodadas de negociações.

"Esperamos definir algumas situações em específico com o Banco do Brasil e com a Caixa Econômica Federal. Acreditamos que alguns bancos possam voltar à rotina na segunda-feira, mas também pode haver retorno apenas dos bancos privados e não dos públicos. Resta aguardar as propostas, avaliá-las e discuti-las nas assembleias", comenta.

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