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Gás irregular explode e mata três

Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

Rio - Uma explosão em um restaurante que funcionava de maneira irregular matou três pessoas e feriu 17 ontem pela manhã, na praça Tiradentes, centro do Rio (veja quadro). A hipótese é que um vazamento de gás de cozinha tenha causado o acidente. A polícia investiga se a explosão ocorreu logo após um funcionário acender um cigarro. Testemunhas dizem que um empregado comprou um maço segundos antes e o acendeu próximo à entrada do restaurante.

A força da explosão arremessou corpos a até 50 metros de distância e provocou danos em dois prédios vizinhos. Destroços feriram pessoas a cem metros do local.

O restaurante Filé Carioca tem alvará provisório. Depende da autorização de outros órgãos para ter a licença definitiva. O prazo dado pela Prefeitura do Rio para que o estabelecimento apresentasse a documentação termina no final do mês.

A explosão no edifício Riqueza, prédio comercial de 11 andares, causou o impacto de uma detonação de cinco a dez quilos de dinamite e atingiu até o sétimo andar.

Laudo do Corpo de Bombeiros, feito em 2010, proibiu a utilização de gás de cozinha ou encanado no local. A Defesa Civil afirma que o restaurante não tinha aval do órgão para funcionar.

Três botijões de gás de 13 quilos foram encontrados. Os bombeiros procuravam ainda seis cilindros de 45 quilos que estariam guardados no subsolo do prédio. Segundo a polícia, o dono pode ser indiciado por homicídio culposo (não intencional).


Cheiro de gás


Entre os mortos, há dois funcionários do restaurante e um bancário que estava na calçada. Três dos 17 feridos estão em estado grave.

Segundo testemunhas, o cozinheiro Antônio Severino Tavares chegou ao restaurante por volta das 6h, entrou, sentiu cheiro de gás e saiu da loja. Mais tarde, disse para dois funcionários que chegaram depois se afastarem. Um deles foi o sushiman Josimar dos Santos Barros. Ele foi à banca de jornal, conversou sobre a rodada do Brasileirão e, por volta das 7h20, voltou para frente do Filé Carioca. Ele e o cozinheiro morreram segundos depois.

O funcionário do Bradesco Matheus Macedo de Andrade, 19 anos, que passava em frente ao local, também morreu.

O comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Sérgio Simões, diz que o acúmulo de gás pode ter se agravado pelo fato de o restaurante ter ficado fechado no dia anterior. "Qualquer fagulha poderia provocar essa explosão. Até o acender de uma lâmpada."

Segundo a Defesa Civil, o prédio foi interditado, mas não há risco de desabamento. Precisa, porém, passar por reformas. Prédios vizinhos, dentre os quais o hotel Formule 1, tiveram algumas avarias, mas foram liberados. A retirada de entulho do prédio pode durar até dois meses.

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?Nasci de novo?, conta jornaleiro


Rio - O jornaleiro Jorge Luiz Rosa Leal, 44 anos, que trabalha na banca em frente ao restaurante, diz que escapou por segundos. Ele conta que entrou na banca para atender um cliente quando ocorreu a explosão. "Foi uma questão de segundos, porque eu não costumo ficar dentro da banca. Nasci de novo. Não tem como dizer em palavras o que foi passado aqui. O sentimento é de sobrevivência. O cenário era devastador, só via poeira e mais nada", diz.

Leal conta que chegou à banca às 5h e conversou com Antônio, o chefe de cozinha do restaurante que morreu na explosão. "Ele me cumprimentou e levou verduras frescas para dentro da loja, depois me pediu o telefone do dono do restaurante", diz.

Um outro funcionário que morreu, Josimar, chegou a reclamar para Leal sobre um "cheiro insuportável de gás lá dentro".

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?Fui salva por Deus?, diz funcionária


Rio - A atendente Michele Medeiros dos Santos, 29 anos, disse que chegou a entrar no Filé Carioca minutos antes de o restaurante explodir. Funcionária do estabelecimento há um ano, ela lamentou a morte dos colegas de trabalho. "Estou me sentindo arrasada porque eu perdi os meus amigos."

A atendente afirmou que chegou no restaurante por volta das 7h e logo que entrou na loja sentiu um "cheiro forte de gás". Segundo ela, o chefe de cozinha Antônio Severino Tavares, que morreu no acidente e estava no local desde as 6h, alertou sobre o risco de explosão por conta de um vazamento de gás e pediu que ela e os outros funcionários se afastassem dali. "Cheguei a falar para o Antônio sair da loja, mas ele disse que estava tentando resolver o problema", disse.

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