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A partir de janeiro, as sacolinhas plásticas serão disponibilizadas apenas para venda |
A partir do dia 25 de janeiro de 2012, os supermercados de Bauru deixarão de oferecer sacolas plásticas para os consumidores transportarem suas compras. E nem mesmo quem quiser pagar pela embalagem escapará da medida. Como não serão disponibilizadas sacolinhas para venda, a única alternativa será utilizar sacolas retornáveis ou caixas de papelão, que já vêm sendo disponibilizadas há algum tempo em parte dos estabelecimentos.
A iniciativa não tem força de lei, mas faz parte de um acordo assinado em maio deste ano entre a Associação Paulista de Supermercados (Apas) e o governo do Estado. A entidade se comprometeu a mobilizar seus associados para abolir o uso das sacolinhas em todo o território paulista. A primeira cidade a adotar a mudança foi Jundiaí, há cerca de um ano.
Em Bauru, a expectativa é de que ao menos os estabelecimentos de grande e médio porte façam parte da iniciativa. De acordo com a entidade, entre as redes já confirmadas estão o Confiança, Tauste, Pão de Açúcar, Santo Antônio, Walmart, Superbom, Panelão e Barracão, entre outros. “Entre os pequenos supermercados, pode ser que ainda haja alguma resistência, mas acreditamos em uma adesão mínima de 95%”, frisa o diretor regional da Apas, Erlon Godoy Ortega.
Entre novembro e janeiro, as lojas farão uma campanha para conscientizar e orientar os consumidores com abordagens e distribuição de panfletos. Também está prevista divulgação da medida, denominada “Vamos tirar o planeta do sufoco”, em outdoors, jornais e em escolas públicas e privadas.
“Neste período, alguns supermercados distribuirão sacolas retornáveis gratuitamente. Também comercializarão várias opções de embalagens, como sacolas de tecido, caixas plásticas e carrinhos de feira”, detalha Ortega.
De acordo com a Apas, a mudança tem o objetivo de reduzir os danos causados pelas sacolas plásticas ao meio ambiente, reduzindo o volume desse tipo de material lançado em aterros sanitários, esgotos e cursos d’água. Mas, para a indústria do setor plástico, a motivação tem cunho essencialmente econômico.
“Se a preocupação fosse ecológica, os supermercados também eliminariam o uso de outras tantas embalagens plásticas dentro da loja, como as que armazenam carnes, frutas e verduras. O único pecado da sacolinha é que ela está do lado de fora do caixa do supermercado”, insinua Gino Paulucci Júnior, vice-presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Acessórios para a Indústria do Plástico (CSMaip) e vice-diretor da regional Bauru do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp).
Impacto
O diretor regional da Apas explica que os supermercados da cidade distribuem, em um único mês, cerca de 15 milhões de sacolinhas, que nem sempre são descartadas como deveriam. O número representa cerca de 80% do total de embalagens plásticas oferecidas em todo o comércio local.
“Por isso, a categoria tem de dar o exemplo. É claro que haverá uma redução de custos para os estabelecimentos, mas esta redução será repassada ao cliente. A sacolinha nunca foi dada de graça, o preço dela estava embutido nos produtos”, ressalta.
A sacola plástica tem sido condenada por ambientalistas por serem derivadas do petróleo, recurso natural não-renovável. Estima-se que elas demorem mais de 100 anos para se decompor na natureza. Em contrapartida, de acordo com Ortega, os sacos de lixo comuns - que são recicláveis e deverão ser usados a partir de agora para descartar resíduos sólidos domésticos - tem tempo de decomposição aproximado entre um a dois anos.
Como desvantagem, Paulucci Júnior prevê que Bauru irá perder em torno de 350 a 400 empregos com a extinção das sacolas plásticas nos supermercados. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas (Abief), o setor emprega 5 mil pessoas somente no Estado de São Paulo.
“A população também será prejudicada. Quem depende de transporte público, por exemplo, terá uma enorme dificuldade para transportar esses caixotes”, pontua.
Mas, de acordo com a Apas, a aceitação dos consumidores nas cidades onde a iniciativa já foi implantada tem sido significativa. Pesquisa apresentada nesta semana pela Ibope Inteligência a pedido da entidade demonstrou que 77% dos moradores de Jundiaí continuam favoráveis a não-utilização de sacolas descartáveis e 73% não querem o retorno delas aos supermercados.
Indústria plástica enumera riscos à saúde
Com a extinção das sacolas plásticas nos supermercados, os consumidores serão obrigados a comprar sacos de lixo para descartarem os resíduos sólidos domésticos. O custo desta exigência, com o qual a população de baixa renda pode não conseguir arcar, resultará em um grave risco à saúde, na avaliação de Gino Paulucci Júnior, vice-presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Acessórios para a Indústria do Plástico (CSMaip) e vice-diretor da regional Bauru do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp).
“Sabemos que, em Jundiaí, já existe uma preocupação quanto a isso. As pessoas que não têm dinheiro para comprar saco de lixo simplesmente farão o descarte in natura dos resíduos, sem qualquer segurança sanitária, o que irá favorecer a proliferação de vetores”, aponta.
As desvantagens à saúde, segundo ele, também se estendem às sacolas retornáveis, que precisam ser devidamente higienizadas para as bactérias de determinados alimentos não sejam transferidas para outros ao longo do tempo. “Para fazer economia, os supermercados estão induzindo a população a arriscar sua saúde e de suas famílias, em vez de conscientizar para o descarte correto destas embalagens. É um erro grave”, opina.
Ele também aponta como perigosa a substituição das sacolinhas por caixotes de papelão, que geralmente ficam armazenados por dias em depósitos das fábricas e também dos próprios supermercados. “E quem irá garantir a higiene desses depósitos e que não haverá ratos transitando e urinando nessas caixas que serão entregues aos consumidores?”, questiona.
Para o diretor regional da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Erlon Godoy Ortega, a medida não irá colaborar apenas para a conservação ambiental, mas também para a higiene das cidades. “Hoje, vemos sacolas penduradas em árvores, sacolas abertas nas calçadas e que, por dividirem o lixo em pequenas porções, geram um grande volume. Como, agora, o lixo será descartado em sacos maiores, facilitará inclusive o trabalho de coleta desses resíduos”, analisa.
