Em janeiro de 2010, as fortes chuvas características do início do ano causaram destruição no litoral paulista. Em São Luiz do Paraitinga, no Vale do Paraíba (45km de Taubaté e 500km de Bauru), uma das cidades mais atingidas pela força das águas, a população ainda segue em busca alternativas para recomeçar, 21 meses depois.
As imagens de destruição que correram o mundo já não fazem mais parte do cenário local. Em menos de dois anos, a cidade, que 15 dias antes da tragédia assinara um projeto em parceria com a Universidade Estadual Paulista (Unesp), conseguiu se reerguer em tempo recorde.
Essas experiências estão relatadas no livro "Gestão em Momentos de Crise: Programa Unesp para Desenvolvimento Sustentável de São Luiz do Paraitinga", organizado pelos professores José Xaides e José Luís Bizelli.
Com lançamento agendado para o dia 21 na própria cidade castigada, a obra reúne artigos de todos os coordenadores de área do "Programa Unesp" e do professor Aziz Ab?Saber, além de contar com prefácio do secretário estadual de educação Herman Jacobus Cornelis Voorwald, reitor licenciado da Unesp.
"Em 2005 iniciamos um projeto de planejamento urbano em São Luiz do Paraitinga que trazia programas de Gestão Participativa a partir dos conselhos municipais criados na cidade a partir do Plano Estratégico de Desenvolvimento Saudável e Sustentável e do Plano Diretor Participativo, que foi enviado à Câmara Municipal em 2007 e teve a sanção pela prefeita municipal em janeiro de 2010, pouco antes da tragédia", comenta José Xaides, da Faculdade de Arquitetura da Unesp de Bauru.
De acordo com ele, a aprovação do projeto da universidade foi fundamental para que a cidade tivesse em mãos um plano a ser colocado em prática quando se deparou com o maior desastre de sua história. "Trabalhamos nesses anos, desde 2005, com estudantes bolsistas que desenvolveram e ainda desenvolvem trabalhos de melhorias urbanas, sejam elas em estâncias de arquitetura e até mesmo social. Quando houve a tragédia, existiu também o momento para se colocar em prática o planejamento de recuperação, reforma urbana e novas construções. Foi nesse momento que a crise gerou a oportunidade", diz.
Cenário
A tragédia local que não fez vítimas fatais interditou, ao menos, 600 casas e deixou 2.500 moradores desabrigados e 100 pessoas totalmente desalojadas. Além disso, também deixou marcas na história da cidade. "Boa parte dos prédios tombados pelo patrimônio histórico sofreram algum tipo de dano", comenta o professor. Segundo ele, aproximadamente 21 bolsistas da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac) da Unesp de Bauru participam do programa, que deve se estender.
"A Unesp não foi a única universidade a participar do processo, mas foi a única que esteve presente antes, durante e depois da tragédia. São Luiz é uma cidade condenada. Daqui 20, 50 ou 100 anos, pode ocorrer uma nova enchente como essa. Por isso, buscamos meios de evitar uma nova tragédia. Temos mais planos para colocar em prática na cidade com outras três linhas de estudos, do desenvolvimento rural, da recuperação dos centros históricos e da continuidade da assessoria em direito público e privado", conclui.
Além do livro, o "Programa Unesp" mantém um portal na Internet que traz informações e detalhes em vídeo, imagens e textos sobre todos os planos de reconstrução e planejamento executados em São Luiz do Paraitinga. Interessados podem acessar o site www.acervodigital.unesp.br/mhar-slp.