A arte está presente em praticamente todos os lugares. Basta um olhar diferenciado para enxergar. Para quem não imagina que em cemitério há muitas obras a serem apreciadas, um projeto da Secretaria Municipal de Jaú (47 quilômetros de Bauru) vem contemplar essa necessidade. Nos moldes de outras iniciativas existentes no País, o Cemitério Municipal Ana Rosa de Paulo, fundado em 1894, vem sendo visitado desde o ano passado.
Dos 15 primeiros visitantes, convidados pelas redes sociais, atualmente, cada visita tem em média 50 visitantes que apreciam aproximadamente 40 túmulos pré-selecionados pelo guia turístico. Conhecem um pouco da história e dos mitos populares no roteiro que é o único noturno constante existente no Brasil, segundo Júlio Polli, que monitora os turistas.
De acordo com ele, o Cemitério Municipal de Jaú foi o terceiro construído na cidade dentro da concepção higienista. “A arquitetura é eclética, de predominância neogótica. Há ainda elementos em art décor e art noveau. Rico em fatos e personagens, o estudo do cemitério jauense é uma aula de História e Arte.
Atualmente, somente quatro cidades paulistas fazem passeios turísticos em cemitérios. Os passeios noturnos só ocorrem no Brasil. Na América Latina, acontecem em cidades do Chile e Colômbia.
Para Polli, a arte cemiterial em Jaú só foi possível pela riqueza do café. “Jaú foi a maior embarcadora de café de São Paulo quando o Estado era o maior produtor mundial da rubinácea. Impregnado do pensamento positivista de valorização dos feitos heróicos e patrióticos, os monumentos foram construídos para admiração. Sua leitura permite interpretar a vida e a morte destas pessoas.”
Referência brasileira no campo da arte tumular, o cemitério da Consolação é a mais antiga necrópole em funcionamento na cidade de São Paulo. Foi inaugurado em 1858 como o primeiro cemitério público da cidade. Hoje, fica na região central da Capital paulista.
A necrópole foi inaugurada com a bandeira da salubridade e para evitar epidemias, além de substituir o hábito então recorrente de sepultar os mortos nos interiores das igrejas.
Assim como em Jaú, foi a cafeicultura que impulsionou a prosperidade e o surgimento de uma expressiva burguesia em São Paulo. O cemitério da Consolação passou a abrigar obras de arte produzidas por escultores de renome, para ornamentar os jazigos de personalidades importantes na história do Brasil.
Já no mercado funerário, as novidades não param de ser lançadas. As urnas funerárias com a bandeira do time preferido e as voltadas a um público específico como da diversidade já estão sendo fabricadas em Cabrália Paulista, cidade que possui empresas fabricantes de caixão.