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Ministro dos Esportes teria recebido propina


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Brasília - Dois integrantes de um suposto esquema de desvio de recursos do Ministério do Esporte acusam o ministro Orlando Silva (PC do B) de participação direta nem fraudes, revela reportagem publicada pela revista “Veja”.

O soldado da Polícia Militar do Distrito Federal João Dias Ferreira e seu funcionário Célio Soares Pereira disseram à revista que o ministro recebeu propina pessoalmente na garagem do ministério, em Brasília. Localizado ontem, Pereira confirmou o teor da reportagem.

De acordo com a “Veja”, Pereira descreveu assim a entrega, que teria ocorrido em 2008: “Eu recolhi o dinheiro com representantes de quatro entidades aqui do Distrito Federal que recebiam verba do (programa do ministério) Segundo Tempo e entreguei ao ministro, dentro da garagem, numa caixa de papelão. Eram maços de notas de 50 e 100 reais”.

Ao saber da reportagem, o ministro informou ao Planalto que pedirá à Polícia Federal que investigue o caso. Por ora, o governo não cogita substituir Orlando Silva.

O PC do B informou ontem que, por solicitação do ministro, pedirá a antecipação de um depoimento que Silva daria à Comissão de Fiscalização da Câmara dos Deputados nos próximos dias.

O soldado Ferreira foi candidato derrotado a deputado distrital pelo PC do B nas eleições de 2006. Em abril de 2010, ele foi preso com outras quatro pessoas pela Operação Shaolin, desencadeada pela Polícia Civil do Distrito Federal, sob suspeita de participação no desvio de R$ 1,99 milhão repassados pelo Segundo Tempo a duas ONGs de Brasília.

Ferreira era o presidente da Federação Brasiliense de Kung Fu, que assinou convênio com o ministério para beneficiar 10 mil crianças. Segundo a polícia, ONGs de Ferreira usaram notas fiscais fraudadas para simular compras de produtos e materiais esportivos.

A polícia concluiu, à época, que o dinheiro desviado foi usado pelo policial militar para construir uma mansão, montar três academias e adquirir carros luxuosos.

Um dos convênios com as ONGs de Ferreira foi assinado na gestão do então ministro Agnelo Queiroz, na época filiado ao PC do B e hoje governador do DF pelo PT. O segundo, segundo a polícia, foi assinado na gestão de Orlando Silva, que substituiu Queiroz no ministério.

Ontem, o líder do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira (SP), defendeu, em nota, o afastamento de Orlando Silva e disse que pedirá novas investigações sobre o ministro e o governador do DF.

Procurado pela reportagem, Ferreira não foi localizado ontem. Funcionários das duas academias de ginástica do PM, em Sobradinho (DF), disseram que o policial não tem aparecido nas empresas.

O advogado de Ferreira, Welington Medeiros, informou que o julgamento de ação sobre a operação Shaolin, na qual Ferreira é réu, deve ocorrer nas próximas semanas.

Em seu perfil no Twitter, o ministro do Esporte, Orlando Silva (PC do B), classificou o conteúdo da reportagem como “farsa” e disse que “as calúnias são reações às medidas que determinei para combater irregularidades”.

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