Roma - Manifestantes italianos colocaram fogo em um anexo do ministério da Defesa, destruíram vitrines de lojas e incendiaram dois carros durante protestos dos “indignados”, que terminaram em violência em pleno centro de Roma.
Policiais reprimiram com bombas de gás lacrimogêneo e jatos d’água centenas de pessoas que, com máscaras nos rostos, lançaram granadas de fumaça, coquetéis molotov e garrafas contra os policiais. Os incidentes ocorreram perto do Coliseu, onde, estima-se, que ao menos 100 mil pessoas protestam em meio ao dia mundial das manifestações contra a precariedade e o poder das finanças, em um contexto de crise global.
O movimento dos “indignados” - nascido em Madri em maio e imitado por outros grupos, como “Ocupe Wall Street”, nos Estados Unidos- quer converter o 15 de outubro em um dia simbólico, com protestos em locais emblemáticos, como a Wall Street, em Nova York, a City de Londres e o Banco Central Europeu, em Frankfurt.
Pouco depois do início dos protestos em Roma, pequenos grupos quebraram as vitrines de dois bancos, utilizando placas de trânsito, antes de fugir e se misturar à multidão. Outros grupos incendiaram dois carros.
Imagens na televisão mostraram um dos carros em chamas e outro expelindo uma fumaça densa e preta sobre a manifestação, que, excluindo o incidente, foi pacífica.
A emissora RAI disse que ao menos dois incêndios foram provocados ao longo do percurso e que alguns manifestantes fugiram para um hotel buscando segurança.
O centro da cidade estava fechado desde a manhã de ontem pela polícia, que temia a ocorrência de incidentes similares aos que ocorreram no centro de Roma em dezembro de 2010, que deixaram vários feridos.
A Itália se tornou foco dos protestos contra a crise europeia e cerca de 1.500 policiais foram mobilizados para deter eventuais distúrbios.
Ontem, o chefe do Banco Central Italiano, Mario Draghi, disse, de Paris - onde participou da cúpula do G20- que os jovens “têm direito de ficarem indignados”, mas pediu que as manifestações “não se degenerem”.
Ásia e outros paises da Europa têm protestos tranquilos
Auckland - Na região Ásia-Pacífico a situação foi tranquila. Em Auckland, principal cidade da Nova Zelândia, cerca de 3 mil pessoas cantaram e tocaram tambores, denunciando a ganância corporativa.
Em Sydney, 2 mil pessoas, incluindo aborígenes, comunistas e sindicalistas protestaram em frente ao central Reserve Bank australiano.
Em Tóquio, centenas de pessoas fizeram passeata, incluindo alguns manifestantes com o bordão anti-nuclear. Outras dezenas protestaram em frente à embaixada dos Estados Unidos em Manila segurando cartazes com os dizeres “Abaixo o imperalismo norte-americano” e “As Filipinas não estão à venda”.
Mais de 100 pessoas se reuniram em frente à bolsa de valores de Taipei, para entoar dizeres como “somos Taiwan 100 por cento”, e afirmando que o crescimento econômico tinha beneficiado apenas as empresas, enquanto os salários da classe média mal cobriam os custos de moradia, educação e saúde.
França e Espanha
Em Paris, sede do encontro do G-20, uma trupe de músicos animava centenas de manifestantes no bairro operário de Belleville, numa passeata que iria até o centro.
Os protestos globais foram uma resposta em parte aos pedidos dos manifestantes de Nova York para que mais pessoas se juntassem a eles. Seu exemplo também provocou ocupações semelhantes em algumas cidades norte-americanas.
Mais protestos estavam previstos em Madri. Na Alemanaha, onde a simpatia pelos problemas de dívida dos países periféricos da Europa é pequena, milhares se reuniram em Berlim, Hamburgo e Leipzig e do lado de fora do banco central europeu (BCE) em Frankfurt.
Centenas de pessoas se reuniram também em Londres perto da St. Paul’s Cathedral para o protesto “Occupy the London Stock Exchange”. Manifestações semelhantes ocorreram em Viena e Helsinki, assim como na Grécia, onde os manifestantes fizeram uma passeata contra os planos de austeridade fiscal do governo.