Chicago - A polícia de Chicago informou ontem que cerca de 175 manifestantes foram presos em uma praça central onde alguns montaram barracas e sacos de dormir, em um protesto inspirado pelo movimento “Occupy Wall Street,” de Nova York.
Os protestos atraíram mais de 2 mil pessoas, que marcharam do Federal Reserve Bank of Chicago até o Grant Park, que também foi palco de protestos contra a guerra durante a Convenção Democrática de 1968.
Detalhes sobre as acusações contra os manifestantes de Chicago não foram divulgados.Houve manifestações em dezenas de cidades como Washington, Boston, Chicago, Los Angeles, Miami e Toronto.
O movimento “Ocuppy Wall Street” vem ganhando força no último mês, culminando no “Dia da Raiva” global no sábado. Os protestos foram pacíficos na maioria dos países, exceto Roma, onde a manifestação provocou tumultos.
Ainda não está claro se o movimento, organizado principalmente por meio das mídias sociais, ainda vai ter fôlego depois do sábado. Críticos acusam o grupo de não ter uma mensagem clara.
Os manifestantes dizem que eles estão preocupados com bilhões de dólares destinados a resgates bancários, que permitiram bancos retomarem seus lucros, enquanto cidadãos americanos não tiveram alívio do alto desemprego.
O grupo de Chicago protestava diante do Fed há 23 dias, antes de mudar de local no sábado.
Pacífico no mundo
A ressaca do “Dia da Raiva” global contra banqueiros e políticos foi tranquila para a maioria ontem, depois de protestos pacíficos no sábado em todos os países, exceto na Itália.
Cidades do leste da Ásia até a Europa e América do Norte tiveram comícios no sábado, protestando contra o capitalismo, a desigualdade e a crise econômica, mas episódios violentos só ocorreram em Roma.
A cidade foi limpa ontem, um dia depois de manifestantes armados e mascarados do grupo “Black Bloc” incendiarem carros, atirarem pedras e atacarem bancos.
“Ontem nós mostramos ao mundo mais uma vez a anomalia da Itália e hoje, novamente, temos de sentir vergonha,” disse o jornal La Stampa.
O prefeito Gianni Alemanno disse que a capital sofreria o “dano moral” do vandalismo.
Milhares de cidadãos também indignados protestaram pacificamente contra o governo da Itália, um país profundamente endividado.
Dezenas de milhares também protestaram em Lisboa e Madri, embora em número menor.
“As pessoas não querem se envolver. Eles preferem assistir na TV,” disse Troy Simmons, de 47 anos, durante o protesto “Occupy Wall Street” em Nova York, que inspirou o movimento mundial.
Em Nova York, algumas dezenas foram presas por delitos menores. Outras cidades dos Estados Unidos e do Canadá tiveram manifestações modestas e pacíficas.
“Eu vou começar a minha vida adulta em dívida, o que não é justo,” disse o estudante de Nathaniel Brown, em Washington. “Milhões de adolescentes de todo o país vão começar o seu futuro com dívidas, enquanto todas essas empresas estão recebendo dinheiro o tempo todo e nós não recebemos nada”, completou o estudante
Londres
Cerca de 250 manifestantes montaram acampamento diante da Catedral de São Paulo, próximo ao centro financeiro de Londres, prometendo permanecer no local para mostrar sua revolta com a crise econômica global.
O grupo já havia tentado ocupar uma área em frente à Bolsa de Londres, no sábado. Depois de ter o plano frustrado pela polícia, o grupo montou até 70 barracas diante da catedral. Alguns disseram que iriam ficar lá por tempo indeterminado.
“As pessoas estão dizendo basta, queremos uma democracia real, não uma que seja baseada nos interesses de grandes empresas e do sistema bancário,” disse a manifestante Jane McIntyre durante o protesto.