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Ministro do Esporte terá que se explicar

Folhapress
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Brasília - O ministro Orlando Silva (Esporte) terá de apresentar explicações por escrito à Comissão de Ética Pública da Presidência da República sobre as acusações feitas contra ele pelo policial militar João Dias Ferreira.

A decisão de abrir um procedimento formal prévio para apurar a conduta de Orlando Silva foi tomada por unanimidade pelos conselheiros, em reunião realizada na tarde de ontem, no Palácio do Planalto.

O PM afirma ter entregue dinheiro vivo ao ministro na garagem do ministério e diz que Silva é o mentor de um esquema de desvios de recursos públicos por meio do programa Segundo Tempo, tocado pelo ministério. O policial não apresentou provas. O ministro nega a acusação.

Silva terá dez dias para responder ao pedido de explicações, que será feito por meio de ofício a ser encaminhado ao Ministério do Esporte. O ofício, contudo, não significa que o ministro está sendo alvo de investigação.

Segundo o presidente da Comissão de Ética, Sepúlveda Pertence, somente após as apresentações das explicações pelo ministro é que a comissão decidirá se uma investigação formal será necessária.

O ofício, que deve ser enviado hoje ao ministro, é genérico. Pede apenas explicações sobre o que foi publicado na imprensa a respeito do caso. Não foram formuladas perguntas específicas para o ministro.

Pertence ainda afirmou estar à disposição para receber o ministro do Esporte em audiência. Em entrevista coletiva concedida ontem, Orlando Silva afirmou que pretende se reunir com o presidente da Comissão de Ética.

Sepúlveda Pertence, contudo, disse que, ainda que ocorra uma audiência, o ministro terá de apresentar explicações por escrito.

 


Ministro nega


Orlando Silva negou ontem as denúncias que comandava um esquema de desvio de recursos públicos e irá à Justiça contra as pessoas que o acusam - o policial militar João Dias Ferreira e seu ajudante Célio Soares Pereira.

Orlando Silva ressaltou que está se antecipando antes mesmo de ser chamado pelos órgãos de investigação. Ontem ele protocolou um pedido de investigação na Procuradoria Geral da República e também o de uma audiência na Comissão de Ética da Presidência.

O ministro também acertou com lideranças para se explicar hoje à tarde em uma sessão conjunta das comissões de Turismo e Desporto e da de Fiscalização e Controle, na Câmara.

Silva já havia solicitado que a Polícia Federal investigasse o caso. A PF irá ouvir hoje o policial João Dias.

“Repudio veementemente as falsidades informadas no último fim de semana, mentiras cuja fonte são bandidos. Por isso minha decisão de tomar uma série de medidas para restabelecer a minha própria honra”, disse.

O ministro também jogou nas costas do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), a responsabilidade por ter indicado o convênio com a entidade de João Dias Ferreira. Silva afirmou que se encontrou uma única vez com o policial, mas não se lembra exatamente quando e disse apenas que foi entre “o fim de 2004 e início de 2005”.

Silva disse que se lembra que a audiência foi apenas para a apresentação de um programa da entidade de João Dias Ferreira que realizava em Sobradinho (DF).

“Agnelo é correto, é uma pessoa bem intencionada, talvez tenha agido de boa-fé, acreditou nas intenções, nas atitudes apresentadas por determinadas pessoas”, disse. Não quero crer que o governador tivesse qualquer informação que fosse desabonadora. Se assim fosse, o então ministro sequer receberia essa pessoa”, disse.

A assessoria de imprensa de Agnelo Queiroz informou que ele está em viagem e não poderia ser contatado. Por meio de nota, também disse que a relação do governador com João Dias Ferreira eram apenas partidárias, quando os dois eram do PC do B, e que não existe mais atualmente.

O ministro afirma que sua pasta não vai mais firmar convênios do programa Segundo Tempo com entidades que não sejam pública. Silva afirma que em setembro realizou um chamamento público para realizar novos acordos com municípios, Estados, universidades e órgãos do governo federal.

 

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