Depois de 21 dias de greve, os bancos voltam à normalidade hoje. De braços cruzados desde o dia 27 de setembro, os bancários resolveram aceitar a proposta feita pela Federação Nacional de Bancos (Fenaban) na última sexta-feira e retomarão hoje as atividades em todo o País.
Em assembleia na noite de ontem, o Sindicato dos Bancários de Bauru e Região informou que a proposta foi simbolicamente rejeitada pela categoria, mas a decisão final foi a de acompanhar a orientação das reuniões organizadas em São Paulo e na Capital federal para aceitar o reajuste de 9% nos salários e de 12% no piso da categoria, além de 2,2 salários por ano a título de Participação nos Lucros e Resultados (PLR).
Apesar de decretado o fim da greve, o sindicato ainda vê a proposta apresentada como insuficiente. “Esperávamos mais. Para o nosso sindicato, essa ainda não foi uma proposta digna da extensão e força desta greve, mas vamos seguir a orientação dos demais sindicatos”, ponderou Paulo Tonon, diretor do sindicato bauruense.
Ficou definido que os bancários devem repor os dias de paralisação até 15 de dezembro, afastando assim a possibilidade de desconto dos dias parados.
Com a decisão, este será o oitavo ano consecutivo que os trabalhadores do setor terão aumento real.
Cenário
Após cinco rodadas de negociações com a Fenaban, os bancários entraram em greve por tempo indeterminado. Dentre as principais reivindicações, os trabalhadores pediam 12,8% de reajuste, sendo 5% de aumento real. Pelo acordo a categoria conquistou aumento real de 1,5%, e de 4,3% para o piso que, com a nova determinação, sobe de R$ 1.250 para R$ 1.400, sendo este reajuste válido a partir de 1º de setembro.
Segundo a Fenaban, o auxílio-refeição será de R$ 19,78 e a cesta-alimentação passa para R$ 339,08 por mês, além da 13ª cesta no mesmo valor. O auxílio creche mensal será de R$ 284,85 por filho, desde que este tenha até 6 anos.
“Isso ainda é insuficiente e bastante distante das reivindicações dos bancários do Movimento Nacional de Oposição Bancária (MNOB), que pleiteia 26% de reajuste para os privados, 87% para o BB e 99% para a Caixa Federal, que são índices referentes à reposição das perdas salariais desde 1994. Acredito que poderíamos prorrogar essa decisão, mas ficou decidido pelo fim da greve. Agora vamos trabalhar nas mesas de negociações permanentes as questões que ficaram pendentes e não foram atendidas neste momento”, destaca Tonon.
Ontem, de acordo com a direção do sindicato, alguns piquetes foram realizados a fim de impedir o retorno de alguns bancários que pretendiam se antecipar à decisão tomada em assembleia. “Nossa intenção era que tudo fosse passado na assembleia e que em reunião votássemos por nossa posição”, disse Paulo Tonon.