Perícia realizada pelo Instituto de Criminalística (IC) de Bauru não encontrou nenhuma imagem que possa ser utilizada como prova em três HDs (hard disk, o disco rígido) de computadores apreendidos na casa do advogado bauruense Sandro Fernandes, acusado de molestar quatro pessoas de sua família e uma ex-funcionária de sua casa.
A informação extraoficial foi obtida ontem pela reportagem do JC, que ainda apurou não ter sido possível a análise em um dos HDs dos três gabinetes (CPUs, Unidades Centrais de Processamento) recolhidos pela investigação. Neste caso, a busca por imagens relacionadas a pedofilia não pôde ser concluída por este estar "danificado".
Ao todo, quatro discos de armazenamento de dados (HDs) foram verificados pela perícia. Conforme já noticiado pelo JC, a primeira "memória" analisada foi a de um laptop de Sandro Fernandes. Segundo apurou a reportagem, o primeiro laudo foi encaminhado à delegada Priscila Bianchini de Assunção Alferes, da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), que teria pedido nova consulta, desta vez para resgatar a data da última formatação do HD.
Informações extraoficiais dão conta de que o sistema operacional (Windows) deste computador foi reinstalado no dia 5 de janeiro de 2010, mais de 1 ano e oito meses antes das acusações serem formalizadas pelas supostas vítimas.
Diretor do IC, José Carlos Fioretti não antecipa oficialmente o laudo dos 3 HDs elaborado pela perícia, uma vez que o caso segue sob segredo de Justiça. "Acredito que devemos entregar (o laudo) na próxima semana, quando encaminharemos à DDM e, posteriormente, ao Judiciário, junto com o inquérito. Estamos fazendo nossa parte e esperamos ajudar ao máximo no que pudermos", diz. A reportagem procurou a delegada Priscila Alferes para comentar o caso, mas ela não atendeu as ligações ontem.
O caso
Sandro Fernandes, 45 anos, é acusado de molestar sexualmente quatro familiares, sendo três jovens que à época dos supostos crimes tinham entre 8 e 16 anos e um menino de 9 anos. Sua esposa, Fernanda Fernandes, 40, é acusada de coautoria por haver suspeita de que tenha sido conivente com os abusos. Uma quinta pessoa, ex-funcionária da residência do casal, também se diz vítima.
No dia 30 de setembro, após mais de 6 horas de depoimento na DDM, Sandro e Fernanda tiveram a prisão preventiva decretada. Sandro segue na cadeia pública de Barra Bonita, e sua esposa na cadeia feminina de Avaí.
Defesa
Em contato ontem à noite com a reportagem, o advogado de defesa do casal, Hélio Marcos Pereira Junior, afirmou que ainda aguarda a decisão do Tribunal de Justiça (TJ) em relação ao pedido de habeas corpus de Sandro e Fernanda. "Não me assustaria se essa decisão não saísse nesta semana. Seria mais uma amostra da morosidade do Judiciário brasileiro", diz.
Sobre as investigações da perícia nos computadores apreendidos, o advogado mostrou mais uma vez estar confiante e voltou a defender a inocência do casal. "Acreditamos na seriedade do Instituto de Criminalística do Estado e sabemos que, se não houver nenhuma prova plantada, nada será encontrado que possa incriminá-los".