Vivemos uma crise social que se apresenta de forma imutável, mostrada todos os dias pela corrupção, falta de ética e dos valores morais de nossa sociedade. Na esfera social, a inversão de valores que ocorre de várias formas, entre as quais o jeitinho brasileiro, mostra que antes de um problema social, as falhas de conduta acabam por criar um círculo vicioso. A educação é vista como fator preponderante na formação intelectual de qualquer indivíduo, todavia, existem valores morais que não são descritos em livros didáticos, mas sim, devem fazer parte de nossa cultura.
Honestidade e ética não são qualidades, são genes, mas a falta delas é nítida, seja nos noticiários ou na sociedade. Um dos grandes nomes de nossa história, o jurispolítico Rui Barbosa, discorria sobre a crise social vivida no país em 1914, "De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto". O ceticismo parece ter tomado conta de nossa realidade, onde a descrença e a dúvida acabam tomando conta de todas as ações, estamos perdendo a fé no homem, entretanto, seu lado positivo advém do questionamento em busca da verdade, sendo notória uma ruptura entre educação social e valores morais, um retrocesso que tem se intensificado nos últimos anos. Os estudos da sociologia nos mostram que a riqueza de um país não é representada apenas pelo seu PIB, mas sim pelo interesse nos valores individuais em prol da coletividade. Em A Riqueza das Nações, Adam Smith retrata os valores a serem atingidos pelo ser humano, "Ao buscar seu próprio interesse, o indivíduo freqüentemente promove o interesse da sociedade de maneira mais eficiente do que quando realmente tem a intenção de promovê-lo." A coesão social tão discutida, não entra em cena há tempos, não lutamos para fazer valer nossos direitos e principalmente nossos deveres, a moralidade deve ser desenvolvida por iniciativa, mas a tratamos como um mero placebo. Valoriza-se a individualidade e o desejo, certo é que a inversão de valores transforma o que é coletivo em privado.
Por muitas vezes, nos perguntamos qual o mundo que deixaremos para nossos filhos, todavia, não nos preocupamos com os filhos que deixaremos para nosso mundo. Pense nisso!
O autor,Vinicius Canaes, é colaborado de Opinião