Polícia

Assassino se entrega e explica crime

Vitor Oshiro colaborou Bruna Dias
| Tempo de leitura: 5 min

Sem antecedentes criminais, servente de pedreiro e pai de família. É assim o incomum perfil de Luiz Augusto dos Santos, 34 anos, que se entregou ontem à Polícia Civil e assumiu ser o autor do assassinato de Durvalino de Souza Neto, 24, ocorrido na noite do último sábado em um posto de combustíveis no Jardim Redentor. Segundo o acusado, o que teria motivado o crime foi uma briga entre um amigo dele e a vítima por uma concorrência na venda de CDs e DVDs “piratas”.

Luiz Augusto dos Santos se apresentou na manhã ontem no Plantão Policial e foi conduzido à Delegacia de Investigações Gerais (DIG). O acusado teria se entregado porque ele e a família estavam recebendo ameaças de morte. Durante o depoimento, teria revelado ao titular da delegacia especializada, Kleber Granja, que o motivo do crime foi uma briga que nem era dele.

De acordo com o que Luiz dos Santos confessou ao delegado, um de seus amigos, conhecido como Gugu (arrolado como testemnunha), possui uma banca de comercialização informal de DVDs e CDs piratas na avenida Rafael Pereira Martini, perto de onde o crime ocorreu. Esse amigo, segundo o depoimento, vinha tendo desentendimentos há mais de um ano com Durvalino Neto, a vítima do homicídio.

A briga antiga seria motivada porque ambos travavam uma concorrência de clientela na venda dos produtos piratas e, inclusive, já teria gerado outros boletins de ocorrência (BO) por dano e lesão corporal. Além disso, Luiz alega que seu amigo vinha sendo frequentemente ameaçado de morte por Durvalino.

Na sexta-feira, um dia antes do crime, Gugu teria novamente dito para Luiz que estava com medo por conta de tais ameaças. “Foi então que, no sábado, o autor dos disparos, depois de ter tomado seis latinhas de cerveja, foi até a banca do amigo. Lá, ele encontrou Gugu novamente discutindo com Durvalino. Após a discussão, Luiz conta que Durvalino se retirou dizendo que ia buscar um revólver e voltaria para resolver a situação”, explica o delegado.

Luiz conta que, para defender o amigo, foi ao carro e pegou um revólver calibre 38 (leia mais ao lado) que carregava sempre. Minutos depois, Durvalino retornou com um amigo ainda desconhecido e continuou a briga.

“Segundo o que o Luiz contou, Durvalino e esse amigo deram um passo para trás e fizeram o mesmo gesto de que iam pegar algo na cintura. Foi então que, alegando ter agido por instinto, ele fez os disparos”, conta Kleber Granja.

Foram realizados quatro disparos. O primeiro atingiu o tórax de Durvalino. Já o segundo, a mão do desconhecido, que fugiu em seguida. Depois, Luiz ainda teria efetuado outros dois disparos novamente no peito de Durvalino Neto.

 


Riacho


Após os tiros, Luiz dos Santos fugiu do local. Ele foi até sua residência no Jardim Tangarás - cujo endereço não foi revelado pela polícia por motivos de segurança -, pegou o restante da munição e jogou os projéteis junto com a arma em um riacho, localizado na quadra 5 da rua Antônio Dezembro.

Ontem, a polícia procurou o revólver, mas não encontrou. “É um córrego barrento e provavelmente esta arma pode se alojar no fundo e não ser mais encontrada. Mas a equipe está procurando”, disse o delegado.

Além de mostrar o local em que descartou o revólver, Luiz entregou para a polícia as roupas que estava usando no dia. De acordo com o titular da DIG, elas estavam sujas de sangue.

Ainda ontem, o pedido de prisão temporária de Luiz  Augusto dos Santos foi aceito. “Ele vai ser autuado por homicídio duplamente qualificado. Primeiro porque foi um motivo banal e depois pela impossibilidade da vítima se defender”, conclui o delegado Kleber Granja.

 

O crime

O assassinato ocorreu no último sábado em um posto de combustíveis no Jardim Redentor. Na ocasião, a vítima Durvalino de Souza Neto, 24 anos, ainda foi levada com vida até o Pronto-Socorro Central (PSC), onde foi socorrido. Em seguida, foi encaminhado ao Hospital de Base e morreu por volta das 6h de domingo.

Os projéteis retirados do corpo de Durvalino, que também não tinha passagens pela polícia e era vigilante e vendedor ambulante, foram encaminhados para perícia. O exame de balística revelou que se tratavam de balas de calibre 38, assim como o calibre do revólver utilizado por Luiz  Augusto dos Santos.

O titular da Delegacia de Investigações Gerias (DIG), Kleber Granja, destaca que o trabalho de investigação preliminar realizado por Paulo Calil, delegado plantonista, e José Dorneles, do Setor de Investigações (SIG) do 1º Distrito Policial (DP) de Bauru, auxiliou muito no esclarecimento do caso.  “O expediente chegou aqui já com o endereço do acusado e o nome dele. Se ele não tivesse se entregado, já estávamos com um mandado de busca em mãos.”

Chegou-se a aventar que o crime tinha sido cometido por um homem que passou em um carro, o que contraria a confissão feita por Luiz dos Santos ontem. Outra hipótese era de que o crime tinha motivação amorosa, o que também foi negado pelo autor. 

 

Procedência da arma

A procedência da arma, segundo o que revelou o acusado pelo homicídio, também é curiosa. De acordo com o delegado Kleber Granja, Luiz Augusto dos  Santos diz que a encontrou há dois anos nas proximidades de onde houve um acidente de carro.

“Ele conta que foi ver um acidente na rodovia na Comandante João Ribeiro de Barros e perto do local achou esse revólver, calibre 38, municiado, niquelado e com cabo de borracha. Segundo ele, ia entregar à polícia, porém, ficou com a arma para o caso de precisar defender a família”, explica.

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