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Copa 2014: Fifa prioriza desejos políticos no calendário


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A Fifa finalmente divulgará hoje o calendário oficial de jogos da Copa do Mundo de 2014. Mas, depois de quatro anos de disputas, o plano atende mais a interesses políticos e comerciais que propriamente esportivos. Para o anúncio, programado para começar às 13h20 (horário de Brasília), em Zurique, na Suíça, nada de craques das seleções ou ex-jogadores. Apenas políticos, cartolas e patrocinadores.

Foram 57 calendários feitos até chegar ao formato final, a ser divulgado hoje, com as sedes de todos os jogos. A CBF e a Fifa tinham de adequar as promessas políticas a um organograma que atendesse ao formato também das televisões e interesses comerciais. No começo, a Fifa alertou que não gostaria de ter 12 cidades-sede na Copa de 2014, porque isso atrapalharia o evento e criaria estádios que seriam verdadeiros "elefantes brancos". Mas o argumento não foi suficiente para frear os planos da CBF e do governo brasileiro.

Hoje, a Fifa acusa abertamente o governo federal e o ministro do Esporte, Orlando Silva, por ter barganhado benefícios políticos na escolha de cidades que receberiam os jogos. Pessoas que trabalhavam com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda confirmaram nesta quarta-feira que até ele se envolveu nos debates das sedes, interveio e fez questão de colocar aliados políticos nos planos da Fifa.

São Paulo ficará com a abertura da Copa, depois de muito impasse para a construção de um novo estádio. Brasília, por sua vez, terá a abertura da Copa das Confederações, em 2013, como prêmio de consolação por não ter o jogo inaugural do Mundial. O Nordeste também foi valorizado. Assim, um terço dos jogos da Copa deve ser realizado na região. Enquanto isso, o Maracanã está fora de todos os prazos. Mas, por ser o Rio, a Fifa faz vistas grossas a todos os problemas do estádio e a cidade terá a final do Mundial.

Olho no lucro


Agnelo Queiroz insistia ontem que era a abertura da Copa das Confederações que apresentava o Brasil ao mundo. Apesar de perder a disputa com São Paulo para abrir o Mundial, Brasília terá ainda um jogo da Seleção Brasileira na primeira fase da competição e, possivelmente, uma das semifinais.

As considerações comerciais também pesaram. A Fifa insistiu que não haveria outra alternativa à cidade de São Paulo, o maior mercado consumidor do Brasil, e que a crise política teria de ser superada. As construtoras também ganharam. Dos 12 estádios do Mundial, sete serão novos.

Na Fifa, os cartolas não negavam nesta quarta-feira que a meta da entidade no Brasil é mesmo compensar as dificuldades financeiras que teve na África do Sul com o Mundial de 2010. "Nosso objetivo é ter lucros maiores no Brasil que na África do Sul e temos tudo para que isso ocorra", disse um dos membros do Comitê Executivo da Fifa, Jacques Anouma.

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