Seria o fim do mistério? A Polícia Civil, por meio da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), suspeita que a ossada humana encontrada no último domingo no quilômetro 16 da estrada municipal Bauru-Santelmo possa ser de Fernanda Tripodi. Angustiada, a família da vendedora, que desapareceu em Bauru há quase 2 anos, acredita que os ossos realmente sejam dela (leia mais abaixo).
O desaparecimento ocorreu em 17 de dezembro de 2009. Na ocasião, Fernanda, que tinha 26 anos e era mãe de dois filhos - hoje com idades de 6 e 11 anos -, sumiu após sair de sua residência. Quase uma semana após desaparecer, o veículo dela foi localizado próximo à Unidade Básica de Saúde (UBS) do Núcleo Mary Dota com uma grande quantidade de sangue no porta-malas, o que ampliou as suspeitas de assassinato.
Em meio às investigações, o marido da vendedora, Roberto Carlos Fagundes, 44 anos, foi considerado o principal suspeito do desaparecimento e provável homicídio. Com a prisão decretada, ele fugiu e, até hoje, não foi localizado.
Segundo o titular da DIG, Kleber Granja, os ossos encontrados por duas mulheres próximos ao Esquadrão da Vida no último fim de semana podem por fim ao mistério. Ele explica que a localização geográfica converge com uma das linhas de investigação da polícia.
“Inicialmente, trabalhávamos com a hipótese de o corpo estar na Quinta da Bela Olinda. Mas o local onde a ossada foi encontrada era a segunda linha de investigação no caso. Isso levanta tal possibilidade”, explica.
Além disso, outros indícios também podem ajudar nas investigações, como as vestimentas que estavam na ossada e o afundamento apresentado no crânio. “O posicionamento da calcinha e do sutiã que estavam nos ossos sugere que não houve violência sexual. Podemos usar esses vestígios para auxiliar nas investigações”.
DNA
Segundo o delegado, o Instituto Médico Legal (IML) está retirando os dados biométricos da ossada para verificar o sexo e tempo de esqueletização, ou seja, há quanto tempo a vítima já estava sem vida. Tal exame deve ficar pronto na próxima semana.
Paralelamente a essas análises, os peritos devem fazer testes para verificar a possibilidade da retirada de algum material biológico dos ossos. Caso isso seja possível, o delegado vai pedir um exame de DNA para comprovar as suspeitas.
A comparação do material biológico pode ser realizada, uma vez que a mãe da provável vítima está viva. O delegado Kleber Granja, inclusive, afirmou que já comunicou a família sobre a possibilidade.
‘Meu coração tem certeza que é ela'
Se a polícia aguarda análises e exames para comprovar a suspeita de que a ossada se trata de Fernanda Tripodi, sua mãe, Antônia Maria de Oliveira Tripodi, 55 anos, diz não ter dúvidas. Para ela, o coração fala antes das provas. “É sentimento de mãe. Tenho certeza que é ela. Meu coração tem certeza disso’, afirma, bastante emocionada.
Antônia conta que a vida da família desabou desde que a filha desapareceu e relata que, angustiada, “reza todo dia para que ela seja encontrada”. “Pedi tanto para Deus acabar com essa angústia. Mas, agora que eu acho que chegou a hora, eu não queria saber, na verdade”.
Para ela, a esperança é de que, caso confirmada a identificação da filha, o seu genro seja finalmente preso. “Ele (Roberto Carlos Fagundes) judiava muito dela. Tenho certeza que foi ele. A única coisa que quero é que ele e os outros envolvidos sejam presos”, afirma Antônia Tripodi, dizendo que, além de Roberto, há mais dois envolvidos.
Segundo o delegado Kleber Granja, a busca pelo principal suspeito continua. “Fizemos diligências em outros Estados para prendê-lo e não temos dúvidas que o marido dela na época é o principal suspeito”, conta.
Em relação a um possível reconhecimento das roupas íntimas encontradas na ossada, a mãe de Fernanda não acredita nessa possibilidade. “Ela tinha muitas roupas e passou tanto tempo que acho que não conseguiríamos reconhecer”, completa Antônia Tripodi.