Após dois anos sem nenhum registro de morte por gripe A (H1N1) - ou gripe suína - em Bauru, uma moradora da cidade morreu em decorrência da doença, segundo confirmou ontem a Secretaria Municipal de Saúde. Trata-se do primeiro óbito do ano em todo o Estado de São Paulo e o 15º no Brasil.
A paciente, uma comerciante de 42 anos que não será identificada a pedido da família, faleceu na madrugada do último dia 9, depois de permanecer internada durante cinco dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital São Lucas. Segundo informações da secretaria, ela tinha sobrepeso e não teria sido vacinada contra o vírus influenza A (H1N1). A causa da morte foi comprovada por exames laboratoriais somente nesta terça-feira.
Procurada pela reportagem, a Secretaria de Estado da Saúde ainda desconhecia a ocorrência mas, depois, corroborou que esta foi a primeira morte de 2011 por gripe suína em todo o território paulista. Há ainda outros 4 casos confirmados no Estado, que não resultaram em óbito.
Embora nenhum deles seja oriundo de Bauru, o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, revelou que já há casos positivos na cidade ainda não oficialmente notificados. Tratam-se de pacientes que procuraram o Pronto-Socorro Central (PSC) com sintomas clássicos da doença e que tiveram material biológico coletado para a realização de exames. Os resultados teriam chegado ontem ao conhecimento da pasta.
“Estamos fazendo um trabalho de sentinela, de vigilância ativa, que foi desencadeado nacionalmente após o surto de gripe A (em 2009). Teremos este número (de doentes confirmados) somente amanhã (hoje), mas, como não fizemos um rastreamento em toda a cidade, pode ser que haja mais casos além destes”, pontua.
Segundo relato da família da comerciante que morreu infectada pelo vírus H1N1, a mulher era saudável e trabalhava normalmente até o final do mês passado e início deste mês, quando começou a apresentar sintomas de gripe comum. Assim como ela, o filho de 10 anos e o marido também teriam ficado doentes. Mas, enquanto ambos se recuperavam, seu quadro de saúde continuou a piorar.
“Ela ficou com o ouvido e a garganta muito ruins. O médico achou que era começo de pneumonia, deu remédio e soro, mas ela não melhorava”, relembra uma tia. Após idas e vindas ao pronto-atendimento do Hospital São Lucas, no último dia 4 ela foi internada às pressas na UTI da unidade com insuficiência respiratória e precisou ser entubada.
Quadro grave
Como já havia suspeita de que a mulher pudesse ter sido acometida pela gripe suína, no mesmo dia ela passou a ser medicada com fosfato de oseltamivir (tamiflu). “Cogitaram, ainda, a possibilidade dela estar com síndrome da angústia respiratória aguda (Sara). No sábado (dia 8), ela teve uma melhora e ficou contente, mas morreu no dia seguinte. Ela não conseguia mais respirar e disse que sabia que iria morrer”, conta a tia.
De acordo com o médico que atendeu a paciente no hospital, o cardiologista João Brosco, a comerciante foi internada já apresentando um quadro extremamente grave de insuficiência respiratória, que não pôde ser revertido a tempo. “Mesmo respirando por aparelhos, os pulmões já não conseguiam fazer a troca de oxigênio e a paciente não resistiu. Ela teve um quadro clássico de gripe suína, que inicialmente parecia uma virose e evoluiu muito rápido”, aponta.
Diferentemente da gripe comum, a gripe suína parece ser capaz de afetar gravemente pessoas com sistema imunológico mais fortalecido. No entanto, o principal risco associado à doença é uma inflamação severa dos pulmões, que pode levar à insuficiência respiratória e à morte.
Outras complicações sérias têm a ver com lesões nos músculos, que podem ocasionar disfunções nos rins e no coração e, mais raramente, meningites e outros problemas no sistema nervoso central. De maneira geral, os infectados apresentam febre de mais de 38 graus e pelo menos um dos demais sintomas da gripe, que são dor de cabeça, dor muscular, dor articular, tosse e coriza.
Nova onda
Para o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, a primeira morte por gripe suína registrada em Bauru - e no Estado - neste ano não implica, necessariamente, em uma nova onda da doença na cidade. Segundo avalia, as campanhas de vacinação imunizaram a maioria da população, que está protegida contra três tipos específicos do vírus influenza, dentre eles o H1N1.
“A não ser que tenhamos um novo variante viral, mas esta é apenas uma suposição. Não podemos dizer que estamos na iminência de viver, de novo, o que aconteceu há dois anos”, aponta.
Em 2009, foram notificados 187 casos e oito mortes em Bauru em razão da gripe suína. A última vítima fatal, um bebê de apenas 5 meses de vida, havia sido registrada em 20 de outubro de 2009. Neste ano, já foram confirmados em todo o País 105 casos e 15 óbitos por gripe A (H1N1).
Prevenção
Para evitar a gripe A (H1N1), é importante higienizar periodicamente as mãos com sabão e álcool em gel, ter boa alimentação e ingerir bastante líquido, além de vacinar-se contra o vírus da doença e evitar contato físico com pessoas gripadas. A recomendação dos órgãos de saúde para quem estiver com febre acima de 38 graus, acompanhada de tosse ou dor de garganta, é evitar freqüentar locais de grande aglomeração e permanecer em repouso, em casa. A medida tem como objetivo evitar a transmissão para outras pessoas e propiciar melhores condições para o paciente se recuperar.