O líder umbandista Ricardo Barreira, recém-filiado ao PMDB, foi afastado liminarmente da presidência da Federação Espírita de Umbanda e Candomblé do Estado de São Paulo ?Reino de Oxalá? (Feucro). A decisão foi expedida pela 1.ª Vara Cível de Bauru e, desde o último domingo, Luiz de Souza responde pela presidência interina da entidade.
Luiz é o autor da ação e foi nomeado vice-presidente da Feucro pelo próprio Ricardo há cerca de dois anos. Ele alega descumprimento, por parte de Barreira, das regras estabelecidas no estatuto da federação, incluindo utilização da linha telefônica da instituição para divulgação de cerimônia de filiação a partido político; instalação de sua associação, a Aldeia Tupiniquim, na sede da Feucro, sem qualquer pagamento; e ausência de prestação de contas.
Ricardo nega as denúncias e disse ser vítima de calúnia e difamação. Além disso, o babalorixá afirma que o autor da ação está afastado da Feucro há mais de dois meses. "Ele mesmo quis sair, foi chamado para uma assembleia, mas não compareceu", pontua. Barreira diz que, desde então, Carmen Figueiroa ocupa a vice-presidência da instituição.
Quanto às denúncias, Ricardo alega que a cerimônia em questão foi realizada em 2011, pelo terceiro ano consecutivo, e teve a mobilização política como tema. "O grupo levou o meu nome", garante. Além disso, ele afirma que qualquer terreiro pode utilizar as dependências da sede da Feucro. "Vários grupos alugam. O meu faz o uso regular, todos os domingos, paga por isso, fez diversas melhorias no local e o contrato foi assinado pelo próprio Luiz", afirma.
Em relação às contas, Barreira disse que todos os documentos e demonstrativos estão à disposição da Justiça e da imprensa. O babalorixá adiantou que vai se defender na justiça e estuda processar o autor da ação por calúnia, difamação e falsidade ideológica. "Lamento esse episódio, pois não prejudica a mim, mas a toda uma comunidade que trabalha muito com o único objetivo de divulgar a Umbanda", finalizou.