Internacional

Ditador Muammar Gaddafi ainda divide líbios mesmo depois de morto

Reuters
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Misrata - Após o anárquico drama da captura e morte de Muammar Gaddafi, os novos líderes da Líbia discutiam ontem o que fazer com seu corpo, enquanto o povo líbio aguarda a instauração formal de uma nova era democrática.

Um repórter da Reuters viu o cadáver, com um ferimento de bala na lateral da cabeça, colocado em uma câmara frigorífica em uma antiga zona comercial de Misrata, para onde o corpo foi levado depois que Gaddafi, 69 anos, foi morto anteontem em Sirte, sua cidade natal.

Um comandante local disse que Gaddafi será enterrado com dignidade e conforme os rituais muçulmanos dentro de 24 horas, mas não está definido se isso será em Misrata, Sirte ou outro local - um dirigente do Conselho Nacional de Transição (CNT) disse que há divergências entre os altos escalões a esse respeito.

Em meio a expectativas de que o CNT irá declarar formalmente a “libertação” da Líbia até hoje, iniciando a contagem regressiva para uma nova Constituição e eleições, o ministro interino do Petróleo sugeriu aos seus colegas que o corpo de Gaddafi seja mantido refrigerado durante alguns dias, para que não restem dúvidas sobre sua identidade.

Os argumentos sobre onde e como sepultar os cadáveres de Gaddafi e do seu filho Mo’tassim - depois da surpresa e da confusão despertadas pela notícia da captura e morte deles na quinta-feira - simbolizam, de certa forma, os desafios que o novo governo enfrentará para impor a ordem em um país repleto de grupos armados.

Outro filho de Gaddafi, Saif al-Islam, que era apontado como seu herdeiro político, ainda estaria foragido, mas sem condições de armar uma resistência significativa, segundo funcionários do CNT.

 

Rivalidades

Antigas rivalidades regionais em um país que só foi unificado sob o regime colonial italiano na década de 1930 são parte de complexas divisões tribais e étnicas exploradas por Gaddafi para manter o controle sobre esta nação escassamente povoada (6 milhões de habitantes) e suas substanciais reservas de gás e petróleo.

O ministro do Petróleo, Ali Tarhouni, disse que espera ser nomeado primeiro-ministro interino na semana que vem, dando início a uma nova fase na transição para a democracia. Havia a expectativa de que uma nova Constituição fosse redigida em oito meses, mas Tarhouni afirmou que esse prazo pode ser otimista demais.

A confusão em torno das circunstâncias exatas da morte de Gaddafi ilustra as dificuldades que os líbios terão para instaurar a ordem em meio ao caos armado que é o legado de oito meses de guerra civil.

 

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