Malavolta Jr. |
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O pintor Dejalma tem agenda lotada o ano todo e dispensa pedidos para manter a qualidade do serviço |
A dificuldade de contratação de pedreiro para trabalhar em Bauru está “salgando” o custo do serviço, cuja mão de obra está escassa na cidade e na região. Os ganhos do profissional especializado podem até triplicar com o segmento da construção aquecido, inclusive pelas reformas de fim de ano.
José Sanches Bernardino vivenciou recentemente a dificuldade de contratação de pedreiros, o que ocasionou atraso de três meses na construção de um imóvel. A previsão inicial de agosto foi estendida para 15 de novembro como último prazo para finalizar a construção e, finalmente, ele pode mudar com a família para a residência nova antes deste Natal. Ele define que, no final do ano, a mão de obra encarece.
Há cinco anos, pagava-se R$ 2,61 pela hora trabalhada para uma jornada de 220 horas mensais. Atualmente, o valor da hora trabalhada de um pedreiro é de R$ 4,50 para a mesma jornada mensal, valor acordado na convenção coletiva da categoria, o que equivale a um piso salarial de R$ 990,00 mensais.
O engenheiro de uma construtora de Bauru acrescentou ao JC que a concorrência das empresas não permite pagar somente o piso a pedreiros, carpinteiros e armadores, que chegariam a tirar até R$ 1.800,00 mensais com gratificações e horas extras.
“A construção civil está tão aquecida que, hoje, o pessoal (pedreiros) está se valorizando demais. Às vezes, você acaba não encontrando profissional qualificado. De cada 10, você acha dois ou três qualificados e bem indicados. Então, eles acabam cobrando um preço muito alto”, ressalta.
No ano passado, Bernardino tentou contratar o serviço de um pintor indicado por seu arquiteto, porém, ouviu do profissional que só poderia atendê-lo a partir de agosto deste ano. Segundo ele, o pedreiro contratado para as obras de acabamento em sua residência trabalha com ele durante a semana e, nos finais de semana, atua em outra obra.
Valorização
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Bauru, Cláudio da Silva Gomes, define que é o melhor momento para o trabalhador, porque o profissional está valorizado na construção civil. “Você impõe o preço da sua mão de obra”, frisa.
O sindicalista argumenta que o setor em Bauru, atualmente, está com 100% da mão de obra empregada. Sem sobra de pessoal especializado, a procura em alta naturalmente força a melhora de ganhos para o trabalhador.
Gomes admite que, somando o rendimento fixo de R$ 990,00 (piso salarial) com produtividade e mais as horas extras, um pedreiro pode ganhar 50% a mais em média, o que gera um rendimento mensal de R$ 1.500,00. “Há casos em que acaba tirando até três vezes mais”, frisa Gomes.
Na faixa de R$ 1.500,00, a hora trabalhada pode chegar a R$ 6,80 para uma jornada de 220 horas mensais, ganho superior ao estipulado no acordo coletivo vigente da categoria.
O sindicalista acrescenta que, atualmente, o profissional do setor em Bauru pode se dar ao luxo de trocar de empresa caso algum empregador ofereça melhores condições. Para o Sindicato dos Trabalhadores, o acordo coletivo da categoria uniformiza os ganhos e as empreiteiras que, eventualmente, não cumprirem as condições mínimas, ou mesmo, não oferecerem atrativos, perdem profissionais para a concorrência.
Negociação salarial
Na negociação da categoria, empresários e trabalhadores fixaram 8,01%, de reajuste sobre o salário praticado em 1 de maio de 2009 da categoria, que tem data-base em 1 de maio. Os trabalhadores qualificados – pedreiro, armador, carpinteiro, pintor, gesseiro e demais profissionais qualificados não relacionados – passaram a receber R$ 990,00 mensais, ou R$ 4,50 pela hora trabalhada, para jornada de 220 horas mensais. Os demais profissionais qualificados em obras de montagem de instalações industriais passaram a ganhar R$ 1.210,00 mensais ou R$ 5,50 por hora, também para 220 horas mensais.
O presidente do Sindicato do Trabalhadores avisa que chegou no limite a mão de obra no setor e novos empreendimentos teriam que trazer trabalhadores de fora ou remanejar aqueles já empregados.
Sindicato: 100% da mão de obra empregada
A dificuldade para contratar profissionais da construção civil deve-se ao setor aquecido em suas múltiplas funções. Do analista de solo ao paisagista, passando pelo servente, pedreiro, mestre de obra e as demais funções, os mais de 18 mil profissionais do setor da construção em Bauru estão todos ocupados, inclusive os autônomos.
Os dados das instituições do setor da construção civil em Bauru ratificam a limitação de mão de obra especializada que o consumidor vivencia na prática.
O mercado de trabalho dá escolha a quem já está consolidado profissionalmente. No segmento de autônomos da construção civil o que é combinado não é caro, porque prevalece a indicação devido à qualidade impecável de profissionais que conquistaram respeito no mercado.
O pintor Dejalma Ribeiro de Araújo comenta que chega a recusar algumas empreitadas porque, no final de ano, não consegue dar conta de toda a demanda.
Ele assume até quatro trabalhos simultaneamente. Araújo opta, às vezes, por formar seus auxiliares. Ele é do tipo caprichoso e não aceita pintura “matada”, expressão convencional entre profissionais para designar serviço realizado com displicência ou pouco zelo.
Dejalma acumula 28 anos como pintor e já passou pelos altos e baixos da profissão. O tempo de experiência ajudou na fidelização da clientela, que sempre recorre aos seus serviços ou o indica para conhecidos. Com isso, o pintor propaga seu trabalho apenas com cartão de visitas. Na véspera do feriado da Padroeira do Brasil, ele tocava uma obra na rua Henrique Savi, na Vila Universitária, em mais uma empreitada em que deixará sua marca à exposição na cidade
O pintor comenta que os ganhos no segmento são muito bons e vê melhora não fosse a ação predatória de paraquedistas, que se infiltram na esperança de ganhos fáceis, visto que a procura por profissionais está em alta.
‘Importação’
Com a temporada de reformas e ampliações de fim de ano, quem procura por pedreiros paga mais caro e ainda tem que se adaptar à agenda do prestador de serviço de sua confiança. Carol Oliveira, gerente de uma empresa que vende e constrói piscinas, comenta que recorreu à “importação” de pedreiro de Piraju - município distante de Bauru cerca de 120 quilômetros - para poder continuar a vender nos próximos meses. No seu negócio também é difícil contratar mais profissionais em Bauru no final do ano. Carol explica que o pessoal já está compromissado com outros serviços.
Ela destaca o sufoco vivenciado por um cliente para finalizar uma obra que custou muito mais cara do que o planejado, graças à escassez de mão de obra. E não foi a piscina a responsável por salgar o preço final. Carol atribuiu o encarecimento da obra à dificuldade na contratação de profissional especializado. A gerente conta que o cliente não conseguiu com facilidade profissionais para a parte de aterramento do terreno, o que encareceu o valor final da construção global.
Carol explica que apenas um servente de pedreiro não dá conta da implantação de uma piscina. O trabalho especializado necessita de um profissional com experiência. A gerente destaca que a falta de profissionais especializados fez com que concluísse apenas uma piscina em 30 dias.
Carol descreve que, em média, são necessários pelo menos 20 dias para se construir uma piscina. Além disso, o planejamento da construção tem que levar em conta o início da temporada de chuvas - outubro, novembro e dezembro.
Casal investe em reforma para Natal
O endereço do casal Eva Maria Maia dos Santos e Milton Francisco dos Santos continua o mesmo no Jardim Bela Vista. Porém, o espírito foi renovar o imóvel pensando no Natal, período festivo em que a família se reunirá, como em outros anos. O encontro familiar será em um ambiente modernizado pela reforma.
Da cobertura ao piso, o casal mexeu em parte da residência com tons de novos ares. O foco principal foi a área de lazer e a piscina. “Renovei e fiz uma reforma drástica do que eu tinha antes. Troquei o velho pelo novo”, define Eva.
As telhas francesas deram lugar às americanos. A piscina de azulejo ganhou uma borda com pastilhas, seguida do piso antiderrapante de granito natural. A área de lazer ganhou churrasqueira com tijolo a vista, coifa de inox e vidro temperado na parte em que se assa as carnes. O fogão à lenha foi dispensado e o mobiliário garante espaço para o fogão embutido e armários planejados. A pia em material inox tem desenho em “L”. Para completar, há um balcão com banquetas para o convívio. No mês passado, o casal começou a mexer em sua cozinha para garantir a mão de obra.
