Política

População cobra projeto para bosque

Vinícius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

Os moradores da região do Bosque do Parque União realizaram, na tarde de ontem, um ato em defesa da intervenção da Secretaria municipal do Meio Ambiente (Semma). Com a presença do titular da pasta, Valcirlei Silva, a população enfatizou a necessidade da ?limpeza? da área em razão de más condições e insegurança. A reivindicação, porém, é de que a Prefeitura não paralise os serviços e recupere o bosque, mas a administração não dispõe de recursos nem de projeto para isso.

Os moradores querem que obras sejam feitas para a recuperação de calçadas, arborização, segurança, construção de uma ponte sobre o afluente de córrego que corta o local, contenção de erosão, além da trilha para a caminhada. Trata-se, portanto, da urbanização do bosque, proposta também por Valcirlei com o objetivo de garantir melhores condições para os moradores. "Eles fizeram esse trabalho, mas a gente quer um cronograma para saber quando a obra será concluída porque é uma reivindicação muito antiga e do jeito que ficou não pode ficar", pontua o comerciante Claudeir Carneiro.

Acontece que o desejo da população não deve ser realizado em um curto espaço de tempo. Isso porque o secretário do Meio Ambiente admite que não recursos para isso. As máquinas utilizadas para a limpeza da área, por exemplo, precisaram ser cedidas pelas secretarias de Obras e Administração Regionais (Sear). Uma empresa da iniciativa privada também colaborou, segundo Valcirlei.

Outro impasse é a falta de projeto para o local. Isso quer dizer, na verdade, o poder público ainda não sabe o que vai fazer no bosque. Consequentemente, não há qualquer tipo de prazo para que a situação seja resolvida. "Quando a primeira etapa do trabalho for concluída, nós vamos fazer um estudo para saber o que precisará ser feito e qual tipo de vegetação será colocada", pontuou.

Valcirlei explicou que a limpeza da área precisou ser executada de forma emergencial, antes do início da temporada de chuvas. Segundo o secretário, ainda há muito o que fazer nessa etapa dos trabalhos, em razão do grande volume de entulho e lixo no local.

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Moradores mostram até casa


A população que vive próxima ao Bosque do Parque União fez questão, porém, de ressaltar os problemas ocasionados pelo bosque antes da intervenção da Semma no local. A dona de casa Sandra Maria Alves Barreto mostrou uma cobra encontrada em sua casa. "Essa é pequena. Já vimos maiores, mas ninguém tinha coragem de pegar. Fora as aranhas e outros bichos", contou.

Sandra relatou também a insegurança proporcionada pelo estado de abandono no local. "Minha casa já foi assaltada", afirma. Outros moradores confirmam a constante presença de usuários de drogas no bosque.

A população garante que árvores nativas não foram retiradas pela Semma. A professora Rosemeire Aparecida Berretini conta que a limpeza atingiu apenas leucenas. "Elas são exóticas, de lugares muito secos. Como aqui é mais úmido e elas soltam muitas sementes, essas plantas brotam em tudo quanto é lugar. Além disso, soltam uma substância que impedem o desenvolvimento das árvores nativas", contou.

Rosemeire afirma que as leucenas tomaram conta do alambrado que existia no local, tornando-se uma cerca viva, e chegaram até as calçadas. "Alguma coisa realmente precisava ser feita. A área com vegetação nativa, plantada pelos próprios moradores, continua intacta", contou

Cetesb vistoria o local


O gerente regional da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), Alcides Tadeu Braga, confirmou que dois técnicos do órgão fizeram ontem uma vistoria no Bosque do Parque União. Um relatório ainda será elaborada, mas a princípio, não foi constatada a retirada de vegetação nativa, confirmando a versão da administração municipal

Por se tratar de uma Área de Preservação Permanente (APP), porém, a prefeitura precisava pedir autorização da Cetesb para a intervenção. No entanto, Alcides afirma que a Semma comunicou o órgão, alegando emergência. Junto ao documento, foi anexado o abaixo-assinado de moradores com a reivindicação da limpeza. Em ralação ao córrego existente no local, o gerente da Cetesb pondera que a canalização já havia sido feita. "Não se tratou da intervenção em mata ciliar de um córrego que estava preservada. A área já estava degradada", pontou.

O Grupo Acorda Bauru, que utiliza a internet com o objetivo de sensibilizar para que a comunidade exerça o papel de cidadania, procurou a Cetesb para que o órgão verificasse a existência ou não de desmatamento irregular. Leandro Atta afirma que o grupo promove a aproximação da população com a prefeitura e órgãos públicos fiscalizadores e uma maior participação da sociedade na política, sem a intenção de causar qualquer tipo de embate entre ambientalistas, prefeitura e moradores.

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