Economia & Negócios

Usinas de cana investem em pesquisas


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Com a alta demanda por álcool e os preços atrativos do açúcar no mercado internacional, as usinas investem em estratégias que tragam maior produtividade à área plantada. Para isso, avançam sobre a área científica.

A Raízen - "joint venture" entre Cosan e Shell e terceira maior produtora de etanol do País - investe em laboratórios de pesquisa para o controle biológico de pragas de cana-de-açúcar.

No mês passado, a empresa fechou parceria com a americana Codexis para desenvolver leveduras e enzimas que melhorem o processo de fabricação de etanol - a pesquisa será feita nos Estados Unidos.

No Brasil, a Raízen está expandindo em 40% o biolaboratório de Guariba (337 km de SP), que vai abastecer as plantações da região de Araraquara (273 km de SP). Com o controle biológico, as usinas conseguem reduzir em 35% os custos no manejo das pragas e aumentar a produtividade em até 10% - além de agregar o apelo da sustentabilidade na cultura.

"É uma prioridade, não só pelo custo. O controle biológico rende melhor que o químico e agrega valor de sustentabilidade à empresa", disse o diretor de produção da Raízen, Cassio Paggiaro. Os biolaboratórios produzem fungos e insetos que controlam pragas como a broca da cana e a cigarrinha-da-raiz, disse Paggiaro.

Eles entram na cadeia de desenvolvimento da planta, como preadores naturais dos organismos que fazem mal ao crescimento da cana. Além desta unidade, a Raízen tem outros sete laboratórios espalhados pelos Estados de São Paulo e Goiás - o primeiro foi criado em 1973.

Segundo a Raízen, são 130 milhões de vespas produzidas todos os meses nessas unidades para o controle da broca e 13 toneladas de fungos para evitar a proliferação das cigarrinhas-de-raiz.

Outra usina que investe em biolaboratorios é a São Martinho, de Pradópolis (315 km de SP) que inaugurou no início do mês uma unidade que vai produzir fungos para combater a cigarrinha. De acordo com a São Martinho, o investimento feito foi de R$ 820 mil para a produção de 10 toneladas de fungos. A empresa também estima que a redução de custos no manejo será de 30%.

A busca das usinas por maior produtividade tem origem na crise do setor. Nesta safra, a quebra da produção nas lavouras de cana-de-açúcar chegou a 27,5%.

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nstituto cria novas espécies


Os investimentos em pesquisa em cana não ficam restritos apenas ao controle de pragas. O Instituto Agronômico de Campinas (IAC) leva a ciência para a plantação ao interferir em cruzamentos genéticos para criar novas espécies.

O objetivo, de acordo com o pesquisador e coordenador do Programa Cana do IAC, Marcos Landell, é desenvolver outros tipos de cana-de-açúcar mais adaptados às necessidades atuais e futuras, como maior resistência ao clima ou mais biomassa.

Segundo Landell, neste ano serão produzidos 400 mil tipos de cana diferentes a partir de cruzamentos feitos na nova área de pesquisa do instituto na Bahia. O período de hibridização da cana vai de abril a outubro, quando a planta floresce e os pesquisadores usam a flor para polinizar espécies.

Pesquisas, feitas há mais de dez anos, permitiram que fossem desenvolvidos tipos de cana que produziam mais álcool por hectare - de 60 litros para cerca de 100 litros do combustível, segundo Landell. O esforço é desenvolver novos tipos para se adaptar ao clima seco.

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