Com o agronegócio em alta, o Brasil está buscando caminhos para ocupar o pódio no ranking da coleta e reciclagem das embalagens de agrotóxicos vazias. Atualmente, segundo o Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (Inpev), o País só perde para a Alemanha nesse item. Porém, há muito a ser feito, segundo o professor de tecnologia de aplicação de agrotóxicos da Faculdade de Ciências Agronômicas (FAC) da Unesp, câmpus de Botucatu, Carlos Gilberto Raetano, que alerta para o descarte incorreto.
“As embalagens de agrotóxicos vazias descartadas sem atender as regras previstas na legislação podem acarretar problemas para a saúde humana, animais e meio ambiente. Contendo resíduos, dependendo do nível de umidade, podem liberar produto químico para o solo. Esse produto químico pode lixiviar, atingir os mananciais hídricos e contaminar o lençol freático e por erosão superficial chegar aos rios, lagos e lagoas, comprometendo a saúde dos humanos e animais.”
Se a água contaminada for ingerida por prazo longo pode provocar intoxicação crônica com difícil diagnóstico. “Se a embalagem não passar por tríplice lavadas os resíduos ficam nela e podem contaminar o solo. A descontaminação remove mais de 90% de todo o conteúdo existente na embalagem.”
O professor ensina que a tríplice lavagem exige o descarte correto da água utilizada. “O resíduo da água de lavagem deve ser descartado adequadamente. Pela atual legislação, o produtor tem a opção de voltar a água para o pulverizador e aplicar na bordadura da sua cultura ou no carreador,” frisa o professor.
A reutilização da embalagem de agrotóxico para uso doméstico é condenada por Raetano. “Não pode. A temperatura de reciclagem do plástico é baixa, algo em torno de 180º. Os resíduos, nessa temperatura, não são suficientes para degradação. Eles vão ficar incorporados ao plástico. Por isso, que a reciclagem tem que ser controlada. Esse material não pode ser usado para a fabricação de qualquer utensílio.”
Enterrar ou incinerar em campo aberto são procedimentos não aceitáveis, segundo o professor. “Toda incineração tem que ser controlada. Tem que fazer o controle de emissão de gases. A reciclagem controlada e por conta dos fabricantes de produtos químicos.”
Na cidade de Bauru tem posto de recolhimento, informa Raetano, e na região em São Manuel e Botucatu.
O processo de reciclagem gera novos produtos a partir das embalagens de agrotóxicos vazias. Raetano explica que no País, especialmente no Estado de São Paulo, a diversificação de culturas que exige produtos diversificados acarreta no uso excessivo de agrotóxicos em algumas culturas. “De modo geral, nas culturas de tomate, batata, pimentão e algumas hortaliças ocorre um número maior de pulverização do que necessário.”