Regional

"Campo Limpo" arrecada mais de 22 mil embalagens

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 5 min

O Brasil é exemplo mundial da recolha de embalagens de agrotóxico vazias, dados do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (Inpev) dão conta de que mais de 90% delas são devolvidas corretamente, ou seja, depois de lavadas por três vezes são entregues nas centrais. Isso porque, os grandes produtores agrícolas recolhem as embalagens.

O entrave acontece com os pequenos produtores que usam menos os agrotóxicos e não têm consciência da importância da devolução. Na região, uma campanha desenvolvida  pela Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) em conjunto com o Escritório de Defesa Agropecuária (EDA) recolheu mais de 22 mil delas que estavam estocadas nas propriedades rurais.    

O diretor técnico da regional da Cati/Bauru, engenheiro agrônomo Johannes Peter Feldenheimer explica que quando se fala em volume de embalagens de agrotóxicos recolhida, o país figura como um exemplo, mas se a contabilidade for feita pelo número de produtores que devolvem, o Brasil cai no ranking. “Isso porque é grande o número de pequenos produtores que usam pouco agrotóxico e enfrentam dificuldades para devolver as embalagens vazias.” 

Um dos obstáculos apontados pelo diretor é o transporte, a entrega da embalagem vazia. “O volume não é grande e o pequeno produtor encontra dificuldades na hora de devolver. As revendas mantém um posto de recebimento de embalagem que nem sempre fica na cidade mais próximo do produtor. Tem revendas em Bauru, Arealva e Reginópolis, nessa região. Mas se o produto for adquirido na região de Lins, por exemplo, terá que ser devolvido lá.” 

Na opinião dele, os pequenos produtores poderiam agir em conjunto para a  coleta e entrega das embalagens, porque cada um deles três duas, três. “Nossa campanha foi criada para fazer com que o pequeno produtor crie o hábito de devolver a embalagem no local correto.”

Feldenheimer explica que cabe as revendas indicar o local de devolução. “Este local tem que seguir todas as regras dos órgãos ambientais, tem que ter licenciamento da Cetesb e a construção também tem que seguir as normas da legislação.” 

Para o também engenheiro agrônomo da Cati, Sérgio Mitsuo Ishicava somando todas as embalagens devolvidas no mundo não chega ao volume recolhido pelo Brasil, anualmente. “Apesar da quantidade ser grande, o que a gente percebe na prática é  que os pequenos produtores têm dificuldades de atender a legislação. Cabe ao produtor, após o uso, devolver a embalagem de agrotóxico no local que consta na nota fiscal. Onde ele faz a compra do produto.Em função do baixo índice de devolução das embalagens vazias de agrotóxicos por parte dos pequenos produtores, a Cati e a EDA decidiram fazer um trabalho in loco.

 

_________________________________________________

Conscientização atingiu 150 produtores da região

 

Conscientizar o pequeno produtor rural que é preciso dar destinação certa as embalagens vazias de agrotóxico. Este foi o objetivo da campanha realizada pela Cati e EDA em oito municípios da região.

De acordo com o engenheiro agrônomo da Cati, Marco Aurélio Parolin Beraldo, o trabalho foi feito em duas etapas distintas. Na primeira, as palestras foram focadas nos procedimentos corretos para obedecer à legislação vigente. “Participaram 150 produtores rurais ao todo, nas oito cidades. Explicamos as regras desde a aquisição do produto até a destinação correta das embalagens vazias.” 

Na segunda etapa da campanha, foi realizado o recolhimento das embalagens de agrotóxicos vazias. “Concentramos a coleta em um posto, onde o produtor rural pode levar as embalagens que estavam em suas propriedades. Fizemos isso em todos os oito municípios em duas semanas alternando dois dias em cada semana.” 

Segundo o engenheiro agrônomo, embora o Brasil seja campeão na coleta de embalagens de agrotóxicos vazias, a grande dificuldade continua sendo a recolha em pequenas propriedades. “Como os pequenos produtores utilizam pequena quantidade do produto têm dificuldades na devolução. Nesse trabalho tentamos conscientizá-los sobre a importância da mudança de hábito, da adoção dos procedimentos corretos.”

Muitos produtores ainda não exigem a nota fiscal de compra. “Ele precisa exigir a nota fiscal, o receituário agronômico emitido por um técnico habilitado para depois fazer a utilização do produto. O técnico vai dizer a ele as especificações e as técnicas de utilização do produto, assim como a utilização de equipamentos de proteção individual e o descarte correto.”

 

________________________________________________

Ambiente protegido pode até usar menos agrotóxico

 

Em todas as culturas há uso de agrotóxicos de diferentes tipos. Nas hortaliças, por exemplo, eles fazem o controle das pragas e doenças. São os defensivos agrícolas. O Brasil é o líder mundial no consumo de agrotóxicos. O uso é de aproximadamente 1 bilhão de litros de venenos agrícolas por ano. Na região, a produção de pimentão em estufa é um dos exemplos de que é possível o uso mais adequado dos agrotóxicos, comenta o engenheiro agrônomo da Cati, Sérgio Mitsuo Ishicava.

“É possível o uso mais racional, integrando técnicas de manejo. Na estufa, a produção não corre o risco de ser lavada pela chuva, fica protegido. O produtor pode fazer o controle da umidade relativa do ar e com alguns procedimentos, usar menos agrotóxicos. Isso será um próximo passo que possivelmente estaremos trabalhando.”

 

____________________________________________

Para o bem do meio ambiente

 

Oito cidades da região de Bauru participaram da campanha: Arealva, Iacanga, Reginópolis, Piratininga, Lucianópolis, Avaí, Cabrália Paulista e Ubirajara. No município de Arealva houve o maior número de produtores e em Iacanga foram recolhidos o maior número de embalagens de agrotóxicos vazias.

“Na região temos cerca de 13 milhões de pés de laranja, onde o agrotóxico é bastante usado. Outra cultura que também usa são as hortaliças. O maior número de citrus estão em Reginópolis e Lucianópolis. Porém, como as plantações são de grandes produtores, o recolhimento das embalagens é garantido,” diz engenheiro da Cati.

 

 

 

Comentários

Comentários