De um lado, prédios, trânsito intenso de veículos e um calor insuportável que emana do asfalto quente por conta da a usência de sombra. A poucos metros dali, árvores frondosas dividem espaço com flores, animais e plantações, tudo isso orquestrado por um silêncio profundo, interrompido vez ou outra pelo canto de um pássaro.
O cenário descrito acima, para muita gente, pode parecer surreal. Contudo, ele não só existe com também pode ser encontrado em diversos bairros de Bauru, como no Jardim Tangarás, Vila Serrão, Jardim Imperial, Vila Giunta, entre outros.
Isso porque, mesmo frente ao progresso que marcha freneticamente sobre a cidade com o passar dos anos, alguns moradores ainda fazem questão de preservar suas raízes caipiras e defendem com unhas e dentes a vida tranquila que levam em suas pequenas chácaras urbanas.
A equipe do JC nos Bairros percorreu a cidade em busca destes shangri-lás para entender como eles ainda sobrevivem em uma cidade que leva o título de Coração de São Paulo e porque seus proprietários trocam a segurança dos apartamentos ou o conforto das casas de condomínios fechados pela vida nestas chácaras.
Nesta busca foi possível notar que, um dia, o número de chácaras urbanas já foi bem maior. Atualmente, muitas delas deram lugar à construção de grandes condomínios fechados, como no espaço existente entre Jardim Shangri-lá e o Jardins do Sul.
As propriedades que resistiram às ofertas de compra tornaram-se pequenos infinitos particulares. Espaços tranquilos, cercados de árvores, flores e animais. Cenário típico do campo, mas com o benefício de estarem situados próximos a supermercados, lojas, padarias, consultórios médicos, entre outras necessidades localizadas na cidade grande.
“É de se duvidar que quase ao lado da minha chácara passa uma das avenidas mais movimentadas de Bauru, a Comendador José da Silva Martha”, destaca Dorival Vieira, um dos entrevistados pela reportagem.
E é justamente a possibilidade de morar em um local com cara de campo mas que tenha as facilidades da civilização que atrai quem opta por morar em chácaras urbanas.
“Quero mais é que a cidade chegue até aqui. Aí eu vou vender verdura pelo muro”, brinca Marcos Augusto Gomyde, que cultiva verduras hidropônicas em sua propriedade.