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O que é política industrial?

Ricardo Coube
| Tempo de leitura: 2 min

Reconhecendo nossos recursos naturais e por achar a industrialização um meio fundamental para o desenvolvimento econômico e social, o Brasil, desde a década de trinta, ensaia políticas industriais baseadas na substituição de produtos importados. Paralelamente ao processo da industrialização e também na década de trinta, o governo de Getúlio Vargas criava a legislação trabalhista (CLT) para proteger os trabalhadores, cuja maioria vinha do campo, nesta nascente e crescente indústria paulista, que além da substituição de produtos mostrava força e criatividade para caminhar autonomamente, graças ao empreendedorismo dos descendentes europeus que perceberam em São Paulo um centro promissor para suas atividades empresariais. Resumindo e exagerando, faz 80 anos que queremos ter uma indústria forte e competitiva em nível mundial, e faz 80 anos que o governo cria dificuldades e obstáculos ao desenvolvimento e competitividade desta atividade econômica. Aumentar o IPI dos carros importados é muito mais fácil que criar políticas e condições para sermos competitivos com isonomia de tratamento tributário.

A competição com produtos importados é a mesma na maioria dos setores. Por que somente a indústria automobilística é protegida? E os outros setores da indústria nacional, não merecem políticas para melhorar sua competitividade interna e externa? Neste momento em que se discute competitividade mundial, nós aprovamos legislação para Aviso Prévio que encarece a relação trabalhista, torna mais burocrático e complicada. Faz sentido?

Fica claro e óbvio que o País não tem um projeto e fica administrando, pontualmente, medidas que influencia setores ou empresas com poder político. Além de ouvir centrais de trabalhadores que são retrógadas e não entendem a globalização como ela é. A receita da indústria, em 2010, cresceu 3,7% quando a produção aumentou 1%. Ou seja, a própria indústria aumentou a sua receita devido a produtos importados e comercializados

Ao invés de remendos, um País que almeja uma posição de destaque no cenário mundial, deveria pensar num projeto de política industrial para atacar a causa e a raiz da competitividade nos vários setores industriais existentes, tornando-nos uma potência mundial.

Precisamos começar com a educação, ou seja, educar, formar os nossos jovens com a mesma qualificação dos jovens nos países competitivos. Segue-se um projeto de reforma tributária que torne a nossa indústria mais competitiva em nível mundial. Burocracia é outro câncer neste País e berço de muita corrupção e falcatruas.


Criamos dificuldades para vender facilidades. Destaco, finalizando, a importância de uma reforma trabalhista, que torne as relações mais leves e menos protecionistas, onde o profissionalismo se destaca e os bons serão mais valorizados. Levaremos mais quantos anos para chegar lá?

O autor, Ricardo Coube, é diretor presidente do Grupo Tiliform

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