Tribuna do Leitor

Perdemos o voo


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Quando achamos que já vimos de tudo nos deparamos com situações inusitadas, para não dizer, situações de extrema falta de respeito a cidadãos que devem ter seu direito de ir e vir respeitado, conforme define a nossa Constituição Federal. Em viagem, no último dia 17, para a cidade de Campinas com o intuito de levarmos nosso filho, que mora em Vitória (ES), para o aeroporto de Viracopos, nos deparamos no caminho com um evento chamado 8.º Tour do Brasil Volta Ciclística Internacional do Estado de São Paulo, que partiu, neste dia, da cidade de Bauru com destino a cidade de São Carlos. Até aí tudo bem. Mas tudo continuaria bem se a Polícia Rodoviária Estadual não nos tivesse obrigado a acompanhar os ciclistas em seu ritmo de pedaladas. É isso mesmo, andamos por quilômetros atrás dos referidos atletas, sem poder ultrapassá-los, até a rodovia Washington Luiz.

Milhares de carros, caminhões e motos, alguns a serviço, outros como nós indo para compromissos com horário marcado, outros quem sabe com vontade de ir ao banheiro ou até doentes, acreditem, todos andando na velocidade das bikes em uma rodovia de duas pistas e acostamentos muito bem conservados, e lógico, não podemos esquecer, muitos pedágios.

A Polícia Rodoviária com um contingente maravilhoso, muitos carros, motos, batedores, ambulâncias, ônibus de apoio, etc. E, nós, que saímos de casa com muitas horas de antecedência para fazermos uma viagem tranquila e segura, para chegarmos a tempo de alcançarmos o voo já comprado, perdemos o horário do voo por causa da incapacidade da polícia, que não conseguiu administrar o evento com bom senso, atendendo os ciclistas e os usuários da rodovia.

A referida polícia, quando questionada, na pessoa de seus policiais, na estrada e pelos telefones, os quais contatamos, nos diziam que tínhamos toda razão em reclamar, que eles concordavam, mas não podiam fazer nada, pois estavam cumprindo ordens superiores. Outros nos diziam que devíamos ter optado por outro caminho e outros até que deveríamos ter deixado pra viajar outro dia (como se fosse possível prevermos estes acontecimentos com meses de antecedência, como foi a compra da passagem). Outros até disseram que nem o comandante viajou naquele dia.

Enfim, perdemos o voo, o dinheiro da passagem já paga, o dinheiro da nova passagem que tivemos que comprar para cumprirmos o compromisso do nosso filho assumido em Vitória e perdemos a paciência. E os outros que estavam ali, na mesma situação, o que perderam? E quem vai pagar?

Que vergonha... Mais uma vez a incapacidade dos administradores ou a falta de vontade de acertar, nos faz passar por situações estressantes desnecessárias. Deixamos aqui o nosso protesto e nossa indignação a essa privação de nossos direitos e nosso apelo para que se tenha mais critério na estratégias escolhidas pela Polícia Rodoviária do Estado de São Paulo ao administrar tais eventos. Atenciosamente.

Silvia Carvalho Prado Guedes de Azevedo

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