Internacional

Boca de urna dá vitória a Cristina


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Buenos Aires - Segundo primeiras pesquisas de boca de urna na Argentina, a presidente peronista Cristina Kirchner deve ser reeleita com 54% dos votos. Até a noite, não havia números oficiais. Se o resultado se confirmar, Cristina será a terceira mandatária do país a exercer o poder em períodos consecutivos - os outros foram Juan Domingo Perón e Carlos Menem.

Também deve ser a eleição em que mais diferença houve entre o primeiro colocado e o segundo, expondo o mau momento da oposição. O socialista Hermes Binner, que teria recebido 14% dos votos, está a quase 40 pontos de diferença atrás da mandatária.

No final da tarde de ontem, as redes sociais falavam em um “Cristinazo”, para referir-se à vitória esmagadora da viúva de Néstor Kirchner.

Na praça de Maio e no Obelisco, no centro de Buenos Aires, militantes e apoiadores começavam a se juntar para as comemorações. A festa da presidente estava prevista para um hotel a poucas quadras desses lugares.

Cristina votou em Río Gallegos, na província de Santa Cruz, no sul. Vestida de preto, teve dificuldades para entrar e sair do local de votação por causa do assédio. “Votar sempre é uma festa. Eu a vivo também desde meu papel de militante, já que nem sempre pude votar”, disse, com lágrimas nos olhos.

A presidente fez elogios ao marido, cujo primeiro aniversário de morte se celebra no próximo dia 27. Disse que ele “marcou definitivamente a vida da política argentina” e lembrou, como tem feito frequentemente, dos paralelismos entre a crise argentina, em 2001, e o atual momento da Grécia - ressaltando a atuação do marido para reerguer seu país.

Além de iniciar o terceiro mandato do kirchnerismo, algo inédito na história recente da política argentina, o resultado de ontem confirma a hegemonia dos Kirchner. Desde a eleição de Néstor, em 2003, não houve força política a ameaçar o governo.

Após enfrentar uma crise com produtores agropecuários no início de seu mandato, em 2008, Cristina amargou índices de popularidade abaixo dos 40%. Sua ressurreição política se deu há um ano, após a morte repentina do marido e ex-presidente, por um infarto.

Explorando o luto eleitoralmente e mais moderada, ela conquistou amplo apoio da classe média, beneficiada pelo bom momento econômico, e principalmente dos pobres, público cativo dos programas sociais.

A votação de ontem também poderia dar ao kirchnerismo a maioria no Congresso, superando a derrota nas eleições legislativas de 2009.

Até esta noite não estava claro quantas cadeiras ficariam com aliados do governo. Esse resultado será chave para o terceiro mandato do kirchnerismo, que começa em dezembro sob a suspeita de querer mudar a Constituição para a instituir reeleição indefinida.


 

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