João Neto/Vipcomm |
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Treinador volta ao clube onde viveu sua última glória como treinador, a conquista do Paulista de 2005, e substitui o interino Milton Cruz |
Em sua última cartada para tentar salvar o ano do São Paulo, o presidente Juvenal Juvêncio definiu ontem a contratação de Emerson Leão para comandar o time na reta final do Brasileirão e da Copa Sul-Americana. O acerto ocorreu pela manhã e o novo treinador já foi apresentado à tarde, após comandar o primeiro treino em sua segunda passagem pelo clube - a primeira foi entre 2004 e 2005.
Afastado do futebol desde agosto da temporada passada, quando saiu do Goiás, o treinador de 62 anos chega para dar um choque no time do São Paulo, após a passagem frustrada de Adilson Batista, considerado um treinador pouco “linha dura” e que teria perdido a autoridade do elenco - tanto que foi demitido na semana passada, diante da má fase são-paulina no Brasileirão.
Na apresentação, o novo técnico e diretoria do clube tentaram despistar o fator “pulso firme” de Leão como principal motivador para a contratação. Mas foi em vão. Questionado sobre uma possível falta de comprometimento de alguns atletas do grupo, insinuada pelo diretor de futebol Adalberto Baptista após o empate com o Coritiba, no último domingo, o treinador foi claro.
“Não detectei isso. Mas atleta que não estiver comprometido não é profissional. Se tivermos esse problema aqui, o problema está resolvido”, disse Leão, que embarcaria na noite desta segunda-feira com a delegação para o Paraguai, onde acontece o jogo contra o Libertad, na quarta, pela Copa Sul-Americana.
Por ter vencido o primeiro jogo por 1 a 0, semana passada, no Morumbi, quando já estava sem Adilson Batista - Milton Cruz foi o técnico interino -, o São Paulo tem a vantagem do empate diante do Libertad. Pode até avançar às quartas de final em caso de derrota por um gol de diferença, se marcar fora de casa.
A nova chegada de Leão é semelhante à primeira passagem do técnico pelo clube. E foi lembrada pelo vice-presidente de futebol do São Paulo, João Paulo de Jesus Lopes, como um dos fatores para o acerto feito nesta segunda-feira. “Em 2004, nós estávamos em sétimo no Brasileiro, o Leão chegou e nos classificamos para a Libertadores. Além disso, ganhamos o Paulista. Ele tem o melhor aproveitamento entre os técnico do clube dos últimos dez anos”, disse o cartola, sobre os 69% de aproveitamento do treinador dirigindo o São Paulo.
Leão chega ao Morumbi com um contrato apenas até o dia 31 de dezembro, situação que sempre foi criticada pelo técnico, que chegou a dizer que não aceitaria mais um compromisso tão curto. “Recusar uma proposta dessas é suicídio. Não estou nesse ponto”, explicou o treinador. “Quando você volta é porque deixou um pouco de saudade. O que o São Paulo quer é difícil e de grande responsabilidade. Mas vamos trabalhar para melhorar em um espaço curto.”
Apesar do tempo longe dos gramados, Leão afirmou que se manteve atualizado sobre o mundo da bola. O São Paulo, segundo ele, também esteve no seu foco. No entanto, preferiu não apontar problemas dentro da equipe. “Todo grande time precisa de melhorias. Até o Barcelona, que é o melhor time do mundo”, avaliou.
Histórico
Ao voltar ao São Paulo, Emerson Leão reencontra o clube onde viveu sua última glória como treinador, o título do Campeonato Paulista de 2005, conquistado com duas rodadas de antecedência e só uma derrota. Logo após o título, porém, Leão foi para o Vissel Kobe, do Japão, alegando uma dívida de gratidão com um amigo. Assim, deixou o time que, meses depois, se consagraria tricampeão da Libertadores e do Mundial, já sob a batuta de Paulo Autuori.
De lá para cá, Leão tem tido passagens pouco duradouras nos empregos que teve. Foram nove times nos últimos seis anos. O experiente técnico tornou-se, a contragosto, um “bombeiro” do futebol, salvando clubes de fases complicadas e de prováveis rebaixamentos. Foi assim com o Corinthians, em 2006, e com o Atlético-MG, em 2007 - ambos no Brasileirão. Seu último clube foi o Goiás, no qual teve uma saída polêmica, em agosto do ano passado. Ao pedir demissão, Leão revelou salários atrasados e moveu processo contra o clube, então comandado por Syd de Oliveira.
